Um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) matou a tiros uma mulher de 37 anos durante uma operação em Minneapolis, no estado de Minnesota. O incidente ocorreu nesta quarta-feira (7), quando, segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), a vítima teria tentado avançar com seu veículo contra agentes federais.
O DHS informou que o agente efetuou os disparos ao sentir-se ameaçado durante a abordagem. Fotografias do local mostram um orifício de projétil no para-brisa do automóvel da vítima, que colidiu contra um poste após ser atingida. Um SUV escuro com sangue espalhado pelo encosto de cabeça foi visto na rua coberta de neve onde a ação ocorreu.
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Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, afirmou em uma publicação que o agente do ICE começou a atirar depois que um “manifestante violento” tentou atropelar os agentes. “O suposto agressor foi atingido e está morto”, escreveu ela. “Espera-se que os agentes do ICE feridos se recuperem totalmente. Em sua rede social, o senador estadual Omar Fateh disse que testemunhas informaram que agentes federais impediram um médico de tentar socorrer e reanimar a mulher.
A secretária do DHS, Kristi Noem, defendeu a ação dos agentes e afirmou que os oficiais tentavam remover um veículo preso na neve quando foram atacados. “Esses ataques com veículos são atos de terrorismo doméstico. Estamos trabalhando com o Departamento de Justiça para processá-los dessa forma”, declarou.
O presidente Donald Trump afirmou que o assassinato “parece ter sido um ato de legítima defesa” e acusou a vítima de atropelar o agente. “A mulher que dirigia o carro estava muito agitada, obstruindo e resistindo, e então, de forma violenta, intencional e cruel, atingiu o agente do ICE, que aparentemente atirou nela em legítima defesa”, disse nas redes sociais.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou a presença federal na cidade. “Agentes de imigração estão causando caos em nossa cidade. Exigimos que o ICE deixe a cidade e o estado imediatamente. Estamos ao lado das comunidades de imigrantes e refugiados”, afirmou. Frey, um democrata, culpou o governo Trump por aumentar as tensões em torno da fiscalização imigratória.
O governador de Minnesota, Tim Walz — que concorreu à vice-Presidência ao lado de Kamala Harris em 2024 —, criticou o governo do republicano por sua resposta ao incidente, que classificou de “terrorismo doméstico”. “Eu vi o vídeo. Não acreditem nessa máquina de propaganda. O estado garantirá uma investigação completa, justa e célere para garantir a responsabilização e a justiça”, escreveu.
O caso provocou protestos imediatos no local. Dezenas de manifestantes se reuniram, entoando palavras de ordem como “Vergonha! Vergonha!” e “ICE fora de Minnesota!”. Alguns manifestantes foram recebidos por agentes federais fortemente armados e usando máscaras de gás, que dispararam munições químicas contra eles.
O incidente acontece em meio a uma ampla mobilização federal na região. Cerca de 2.000 agentes e oficiais foram destacados para uma operação migratória anunciada pelo DHS na terça-feira (6), parcialmente relacionada a investigações sobre supostas fraudes envolvendo moradores de origem somali em Minneapolis e St. Paul. O comandante da Patrulha da Fronteira dos EUA, Gregory Bovino, que liderou outras operações de fiscalização em Chicago, Charlotte e Nova Orleans, também estava no local.
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Trump enviou agentes federais de imigração para cidades governadas por democratas nos EUA durante 2025, o que gerou reações negativas dos moradores. Nas últimas semanas, agentes foram enviados a Minneapolis após acusações de fraude envolvendo imigrantes somalis, que o presidente americano chamou de “lixo”.
A expectativa para 2026 é de que o cerco a imigrantes fique ainda mais acirrado, com bilhões de dólares em novos recursos — inclusive com mais operações em locais de trabalho —, mesmo diante do aumento da reação contrária às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato do próximo ano. O ICE e a Patrulha de Fronteira receberão US$ 170 bilhões em recursos adicionais até setembro de 2029, um aumento significativo em relação aos orçamentos anuais atuais de cerca de US$ 19 bilhões.
