Alemanha pressiona UE por flexibilização em metas para fim dos carros a combustão

Carta do chanceler Friedrich Merz defende cronograma mais realista para indústria automotiva diante de concorrência chinesa e adoção lenta de elétricos

Por Redação TMC | Atualizado em
Dados de um estudo da T&E indicam que, se a UE exigir que 75% dos veículos novos corporativos vendidos em 2030 sejam elétricos e produzidos na Europa, isso poderia gerar a fabricação de 1,2 milhão de unidades adicionais até o fim da década (Foto: Reuters)

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, enviou nesta sexta-feira (28/11) uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pedindo que a União Europeia (UE) flexibilize a proibição de venda de carros com motor a combustão a partir de 2035. Segundo o líder alemão, a transição para veículos elétricos precisa ser mais realista, considerando os desafios enfrentados pela indústria automotiva europeia.

Merz defende que o atual cronograma não leva em conta o ritmo mais lento de adoção dos carros elétricos e a crescente pressão da concorrência internacional, especialmente da China. A carta foi enviada um dia após o governo alemão, composto por partidos com posições divergentes sobre o tema, concordar em defender isenções para tecnologias de transição, como híbridos plug-in e motores de combustão altamente eficientes.

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No documento, o chanceler argumenta que a regulamentação de emissões de CO₂ deve ser “neutra em termos tecnológicos, flexível e realista”, de forma a atingir os objetivos climáticos da UE sem prejudicar a inovação e a geração de valor industrial.

Merz também apoia o uso de biocombustíveis e o incentivo à produção sustentável, como o uso de aço verde, produzido com energia renovável, para reduzir as emissões da cadeia de produção automotiva.

A Comissão Europeia deve apresentar uma revisão das metas de emissões do setor automotivo no próximo dia 10 de dezembro. Até lá, montadoras como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW continuam a pressionar por regras mais flexíveis, especialmente diante da aceitação mais lenta do que o esperado dos veículos elétricos por consumidores europeus.

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A Associação da Indústria Automotiva Alemã (VDA) elogiou a iniciativa de Merz. “É uma boa notícia para a indústria automotiva e seus milhares de trabalhadores”, afirmou Hildegard Müller, presidente da entidade.

Já organizações ambientalistas criticaram a medida. Segundo a ONG Transporte e Meio Ambiente (T&E), manter o foco em motores a combustão é apostar em uma tecnologia obsoleta. “Acreditar que o futuro da Alemanha está nos motores a combustão é ignorar deliberadamente a realidade”, disse Sebastian Bock, diretor da T&E na Alemanha.

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Dados de um estudo da T&E indicam que, se a UE exigir que 75% dos veículos novos corporativos vendidos em 2030 sejam elétricos e produzidos na Europa, isso poderia gerar a fabricação de 1,2 milhão de unidades adicionais até o fim da década.

A revisão das metas da Comissão Europeia busca justamente incentivar a adoção de veículos de emissão zero em frotas corporativas, responsáveis por 50% a 60% das vendas de carros novos no continente.

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