Os novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o caso Epstein – onde são revelados os nomes das pessoas que mantinham contato ativo com o falecido bilionário e sua rede de exploração sexual e tráfico de menores – foram assunto no mundo todo e em todas as áreas da sociedade global.
Músicos, cientistas políticos, empresários, especialistas da tecnologia, atletas e políticos estão entre as celebridades que entraram no microscópio público após aparecerem nas correspondências com o predador sexual Jeffrey Epstein. Há um nome, porém, que preocupou um setor muito específico e que merece mais atenção: o de Christopher Poole.
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Poole, que atende pela alcunha de “moot” na internet, é o fundador do fórum “4chan”; conhecido como uma das maiores fortalezas digitais da extrema-direita, e de onde se criaram e saíram muitos indivíduos hoje conhecidos. J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, é tido como um “caso de sucesso” do fórum – isto é, Vance seria uma “cria” do 4chan.
Na nova leva de documentos dos Arquivos Epstein, há registros de um encontro entre Poole e o magnata em outubro de 2011. Aqui, usuários e ex-usuários do 4chan notaram uma linha do tempo interessante:
Em 17 de janeiro de 2011, Poole havia deletado um subfórum do 4chan chamado “/new/”, onde se discutiam notícias e política, porque o espaço havia “devoluído” para um antro de mensagens de ódio e preconceito contra minorias.
Entre 20 e 23 de outubro de 2011, e-mails mostram Poole sendo apresentado a Jeffrey Epstein, bem como o magnata alegando que gostou de conhecê-lo. Epstein diz que ele e Poole “conversaram sem parar por quase uma hora” e que Poole “será um amigo”.
No dia 23 de outubro de 2011, um subfórum chamado /pol/, sucessor direto do /new/, é criado no 4chan sob a pretensa de “conter” em um subfórum todo o “conteúdo racista, xenofóbico e odioso” que aparecia em outras avenidas do 4chan.
O avanço do /pol/ na internet e cultura dos Estados Unidos o consolidou como um fator cada vez mais decisivo na política. A eleição de Donald Trump em 2016, por exemplo, é largamente creditada a comunidades da internet; afinal, Trump não era sequer um dos candidatos principais do Partido Republicano no início da corrida eleitoral.
Além disso, em abril de 2025, um vazamento de dados de usuários do 4chan mostrou a presença de e-mails com finais “.gov” – isto é, exclusivos de cargos do governo – e “.edu” – domínio acadêmico – cadastrados no fórum.
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A junção destes fatores cria uma figura intrigante. O dono de um fórum online exclui um subfórum por sua conduta, e o reinstala um dia depois de se encontrar com um bilionário conhecido por ter “poder” em todos os setores da elite americana; este subfórum muda seu propósito, passa a se tornar um “clube da extrema-direita” e ganha relevância cultural; um candidato “desacreditado” à presidência cresce nas preliminares com apoio deste subfórum, e acaba se tornando não só presidente dos EUA, como também a “face” e símbolo-maior do Partido Republicano; e, por fim, diversos usuários do local são detentores de e-mails de domínios exclusivos a cargos públicos.
Não houve pronunciamento de Poole sobre o caso até o fechamento desta matéria; o espaço está e permanecerá aberto para respostas.
Documentos nos Arquivos Epstein “podem ser falsos”, alega governo Trump
Os novos documentos divulgados no caso Epstein podem ser livremente acessados no portal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que encabeça os esforços do Ato de Transparência dos Arquivos Epstein.
Mesmo assim, o próprio Departamento comunicou uma mensagem confusa em nota oficial: no mesmo texto, o órgão afirma que realizou uma inspeção rigorosa da documentação enviada ao FBI, mas também alega que podem existir provas “falsas ou falsamente submetidas”, especialmente aquelas que incluírem “acusações contra o Presidente Trump”.
