Tetsuya Yamagami, de 45 anos, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (21/01) pelo tribunal da cidade de Nara, onde o crime ocorreu em julho de 2022, quando Abe discursava em um comício eleitoral e foi atingido por disparos de uma arma artesanal.
O tribunal acatou o pedido da promotoria, que havia solicitado a pena máxima no mês passado. Durante audiência realizada em outubro de 2025, Yamagami confessou o homicídio e a violação das leis de controle de armas. “Tudo é verdade”, afirmou o réu na ocasião.
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O assassinato foi motivado pelo ressentimento de Yamagami contra a Igreja da Unificação, grupo religioso que ele acreditava ser apoiado por Abe. O condenado guardava rancor da instituição após sua mãe doar aproximadamente 100 milhões de ienes à entidade, equivalente a cerca de US$ 660 mil ou R$ 3,5 milhões, segundo informações da Reuters.
O atentado aconteceu em 8 de julho de 2022, quando o ex-premiê participava de um evento de campanha para candidatos do Partido Liberal Democrático em Nara, região oeste do Japão. Abe foi atingido por tiros disparados da espingarda caseira fabricada pelo próprio Yamagami.
Nascido em família de tradição política, Abe era neto do ex-primeiro-ministro Nobusuke Kishi e filho de um ex-ministro das Relações Exteriores. Em 2006, aos 52 anos, tornou-se o premiê mais jovem da história do Japão, mas sua primeira passagem pelo cargo durou apenas um ano, interrompida por problemas de saúde.
Em agosto de 2021, Abe estabeleceu o recorde de 2.799 dias consecutivos como primeiro-ministro japonês em um único mandato. Ele deixou o poder definitivamente em setembro de 2021, mas continuava exercendo forte influência no Partido Liberal Democrático, então governante.
Ao renunciar ao cargo, Abe declarou: “Eu me dediquei de corpo e alma à recuperação econômica e à diplomacia para proteger o interesse nacional do Japão todos os dias desde que retornamos ao poder”. Durante seu governo, implementou políticas econômicas conhecidas como “abenomics” e promoveu mudanças significativas na política externa do país.
Em 2014, seu governo reinterpretou a constituição pacifista do pós-guerra, permitindo que tropas japonesas lutassem no exterior pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. Após sua saída, Fumio Kishida, ex-ministro das Relações Exteriores, foi eleito em outubro de 2021 como o 100º primeiro-ministro do país.
Os promotores classificaram o assassinato como um “incidente extremamente grave e sem precedentes na história do pós-guerra”. Não foram divulgadas informações sobre possíveis recursos contra a sentença proferida pelo tribunal.
Com informações da Reuters
