O Conselho de Segurança da ONU realiza uma reunião de emergência nesta segunda-feira (12/01) para analisar o agravamento das tensões entre Rússia e Ucrânia.
A sessão foi marcada após Moscou ter utilizado mísseis supersônicos Oreshnik, com capacidade nuclear, contra Kiev na última sexta-feira (9/01). O ataque resultou em quatro mortos e 22 feridos, conforme informações das autoridades ucranianas.
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A operação militar russa foi executada como resposta a uma alegada tentativa ucraniana de atacar a residência do presidente Vladimir Putin. Durante a ofensiva, o exército russo disparou 36 mísseis e lançou 242 drones contra território ucraniano, mirando principalmente infraestruturas energéticas que apoiam o complexo militar-industrial e fábricas de drones.
Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, declarou que a Ucrânia tentou atacar a casa oficial de Putin em Novgorod, situada a 500 km ao norte de Moscou, utilizando 91 drones de longo alcance nos dias 28 e 29 de dezembro de 2025.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky negou qualquer participação de seu país nessa ação, classificando as acusações russas como “mentiras”.
Os ataques russos ocorreram na madrugada de sexta-feira, quando os mísseis Oreshnik atingiram a capital ucraniana. Apesar desses armamentos terem capacidade para transportar ogivas nucleares, não há evidências de que os utilizados nesta operação estivessem equipados com esse tipo de armamento.
Além de Kiev, outras regiões da Ucrânia também foram atingidas durante a ofensiva russa, segundo relatórios das autoridades locais.
O sistema Oreshnik é um míssil balístico de alcance intermediário que pode atingir alvos a até 5.500 quilômetros de distância e alcançar velocidades de até 13 mil quilômetros por hora. Nos ataques recentes, os lançamentos ocorreram em distâncias entre 800 e 850 quilômetros.
Este armamento entrou oficialmente em serviço ativo no final de 2025 e é considerado por especialistas como um dos mísseis mais difíceis de interceptar atualmente.
A primeira utilização do Oreshnik aconteceu em novembro de 2024, quando a Rússia realizou um disparo experimental contra uma fábrica em Dnipro, na Ucrânia.
O Ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, informou que está compartilhando os detalhes do ataque com os EUA e países europeus, solicitando aumento da pressão sobre a Rússia. Sybiha classificou o ataque russo como uma “grave ameaça” à segurança europeia, especialmente por ter ocorrido próximo à fronteira da União Europeia e da OTAN.
Após a ofensiva russa, o embaixador ucraniano Andriy Melnyk enviou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU. “A Federação Russa atingiu um novo e assustador nível de crimes de guerra e crimes contra a humanidade com o terror perpetrado contra civis e infraestrutura civil na Ucrânia”, afirmou Melnyk no documento.
Ainda não há informações sobre quais medidas concretas poderão resultar da reunião do Conselho de Segurança da ONU, nem se novas sanções serão impostas à Rússia após este episódio.
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