Sete pessoas morreram e ao menos 12 ficaram feridas em ataques aéreos realizados por Israel contra a cidade de Tiro, no sul do Líbano, na noite de quinta-feira (04/06), poucas horas após o anúncio de um cessar-fogo entre os dois países, mediado pelos Estados Unidos.
Segundo informações da Defesa Civil libanesa, um dos bombardeios atingiu uma área próxima ao Hospital Jabal Amel, deixando quatro mortos e sete feridos. O ataque também destruiu uma agência bancária e causou danos à unidade de saúde. Em outro ponto da cidade, três pessoas morreram e cinco ficaram feridas, entre elas duas crianças, após a explosão em uma área residencial.
Em comunicado, o Exército israelense afirmou ter realizado operações contra posições do Hezbollah em três localidades ao norte do rio Litani, a cerca de 40 quilômetros da fronteira, e determinou a evacuação de moradores das regiões atingidas.
A nova escalada ocorre apesar de o Departamento de Estado dos Estados Unidos ter anunciado, na quarta-feira (03/06), um acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano. No entanto, os confrontos continuaram nas horas seguintes. Na quinta-feira, ao menos quatro pessoas já haviam sido mortas em novos ataques israelenses em território libanês.
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O conflito também expôs divergências políticas dentro da região. Nesta sexta-feira (05/06), o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, acusou o Irã de utilizar o sul do país como instrumento de pressão nas negociações com os Estados Unidos. Ao comentar a situação, o premiê pediu que Teerã deixasse de tratar a população libanesa como uma “moeda de troca” em discussões diplomáticas.
A declaração foi uma resposta à posição do governo iraniano, que voltou a manifestar apoio ao Hezbollah e condicionou avanços nas negociações com Washington ao fim dos bombardeios israelenses no Líbano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que a guerra só poderá terminar definitivamente com a retirada das forças israelenses das áreas ocupadas no sul libanês.
O acordo de trégua também enfrenta resistência do Hezbollah. O líder do grupo, Naim Qassem, rejeitou publicamente a proposta anunciada pelos EUA e afirmou que a organização continuará atuando enquanto Israel mantiver presença militar em território libanês.
Já o presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, declarou que aceita a retirada dos combatentes do grupo do sul do país, desde que as tropas israelenses também deixem simultaneamente as áreas sob ocupação. Ele criticou os termos do cessar-fogo e defendeu uma interrupção total das hostilidades por terra, mar e ar.




