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Quaest: 58% dos brasileiros temem intervenção como a dos EUA na Venezuela

Estudo da Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 8 e 11 de janeiro e mostrou que preocupação é maior entre lulistas (74%) do que entre bolsonaristas (57%), segundo dados divulgados nesta quinta-feira (15/01)

Brasileiros demonstram preocupação com possível intervenção estrangeira no país, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (15) pela Quaest. A pesquisa revela que 58% dos entrevistados temem que uma ação semelhante à realizada pelos Estados Unidos na Venezuela possa ocorrer em território brasileiro. O estudo ouviu 2.004 pessoas entre os dias 8 e 11 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, mostra diferenças significativas no nível de preocupação conforme a preferência política dos participantes. Entre aqueles que se identificam como lulistas, o percentual dos que expressam medo atinge 74%, enquanto entre os que se declaram bolsonaristas esse número cai para 57%.

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Opinião sobre a ação militar americana

A pesquisa também avaliou a percepção dos brasileiros sobre a operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Quando perguntados “Você diria que aprova ou desaprova a ação militar dos EUA na Venezuela?”, 46% dos entrevistados manifestaram aprovação, 39% desaprovaram a iniciativa e 15% não souberam responder.

A operação americana ocorreu no dia 3 de janeiro, quando forças dos EUA bombardearam locais estratégicos em Caracas e capturaram Maduro. O presidente venezuelano foi transportado para os Estados Unidos, onde será julgado por alegadas conexões com o narcotráfico.

Reação do governo brasileiro

Após a intervenção, o presidente Lula condenou a ação dos EUA, classificando-a como “afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para a comunidade internacional”.

A pesquisa Quaest questionou os participantes sobre essa posição do governo brasileiro. Os resultados indicam que 51% dos entrevistados consideraram a resposta de Lula equivocada, 37% a julgaram adequada e 12% não souberam responder.

Posicionamento do Brasil

O estudo também investigou qual deveria ser, na visão dos entrevistados, a postura do Brasil diante da situação. A maioria expressiva, 66%, defende a neutralidade do país no conflito.

Ao serem questionados “Na sua opinião, o Brasil deveria se manter neutro, apoiar ou se opor às ações de Trump contra a Venezuela?”, 18% responderam que o Brasil deveria apoiar as medidas americanas, 10% defenderam oposição às ações e 6% não souberam responder.

Após a deposição de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo da Venezuela. Rodríguez negociou com os americanos a abertura do mercado petrolífero venezuelano para empresas dos EUA, cedendo às pressões do governo Trump.

O presidente americano descartou inicialmente que Maria Corina Machado, líder opositora e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, assuma o poder no país. A manutenção da estrutura do regime chavista, mesmo após a remoção de Maduro, frustrou as expectativas da oposição venezuelana.

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