A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro violou um princípio fundamental do direito internacional.
A declaração foi feita nesta terça-feira (6/01), três dias após forças americanas entrarem em território venezuelano. Brasil e outros 21 países manifestaram repúdio à ação durante reunião no órgão internacional.
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Ravina Shamdasani, porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, emitiu um comunicado oficial sobre o incidente. “Os Estados não devem ameaçar nem usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”, declarou Shamdasani.
Este posicionamento representa a manifestação mais enfática da organização sobre o caso até o momento.
A Casa Branca justificou a incursão militar como uma “operação para o cumprimento da lei”. Segundo o governo americano, a ação foi necessária para executar um mandado de prisão contra Maduro, acusado de narcoterrorismo e de liderar o chamado Cartel de los Soles.
A operação ocorreu na madrugada de sábado (3/01), quando diversas explosões foram registradas em Caracas, capital venezuelana. Maduro foi levado para os Estados Unidos junto com sua esposa, Cilia Flores.
Após a captura do presidente, o governo venezuelano ordenou que a polícia “inicie imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”. Delcy Rodríguez, até então vice-presidente, assumiu a liderança do país como presidente interina.
Em pronunciamento em rede nacional, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, apoiou a decisão de mantê-la na presidência por 90 dias.
Os EUA acusam Maduro de comandar o Cartel de los Soles, supostamente envolvido no tráfico de drogas da América do Sul para território americano.
Esta classificação permitiu que o governo Trump direcionasse seu aparato militar contra o grupo, após categorizar organizações de tráfico como entidades terroristas.
Pesquisadores contestam essas conclusões, afirmando que o Cartel de los Soles não possui uma hierarquia definida, funcionando como uma “rede de redes” composta por militares de diferentes patentes e membros de diversos setores políticos venezuelanos.
No mesmo dia em que o Conselho de Segurança da ONU se reunia em Nova York para discutir o ataque, Maduro compareceu a uma audiência perante um juiz federal na mesma cidade, onde se declarou inocente das acusações.
Durante reunião de emergência do Conselho de Segurança realizada na segunda-feira (5/01), China e Rússia, aliados históricos de Maduro, manifestaram-se contra a operação. A China caracterizou a ação como “bullying”, enquanto a Rússia classificou o governo Trump como “hipócrita e cínico”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista à NBC News que a presidente interina venezuelana está cooperando com o governo americano.
Segundo Trump, o contato ocorre por meio do secretário de Estado, Marco Rubio. “A relação entre eles tem sido muito forte”, declarou. Trump acrescentou que pode autorizar uma nova operação militar caso Delcy mude de posição.
A Casa Branca indicou nos últimos dois dias que não pretende realizar novas operações militares no território venezuelano, condicionando essa posição à continuidade da cooperação por parte das autoridades venezuelanas.
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