Ao Vivo TMC
Ao Vivo TMC
InícioMundoComo o México se tornou um dos países mais...

Como o México se tornou um dos países mais violentos do mundo

Guerra entre cartéis de drogas, corrupção institucional e impunidade contribuíram para elevação da violência nas últimas décadas

Uma das sedes da Copa do Mundo deste ano, o México voltou ao noticiário no fim de semana mais uma vez por motivos de violência. Uma operação do Exército do país matou Nemesio Rubén Oseguerra Cervantes, mais conhecido como “El Mencho”, um dos traficantes de drogas mais procurados do mundo. 

Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo

A morte de “El Mencho” causou uma onda de violência no México. Saques e veículos incendiados foram registrados após a operação. Mais de 10 estados mexicanos cancelaram aulas na manhã do dia 23 de fevereiro de 2026. A medida de segurança visou proteger alunos e professores.

Palavras como “perigo” e “violência” passaram a ser associados ao México nas últimas décadas. Para muitos especialistas, o país se tornou um dos mais perigosos das Américas e do mundo. Mas como o México entrou na lista das nações mais perigosas do planeta?

De forma geral, a disputa entre organizações criminosas pelo controle das rotas de tráfico de entorpecentes para os Estados Unidos é considerada a principal causa da violência no país. Corrupção e impunidade também contribuíram para o crescimento da violência nos últimos anos.

O Cartel de Sinaloa e o Jalisco Nueva Generación (CJNG) são os dois principais grupos de narcotráfico do país. E vem travando confrontos violentos pelo domínio de territórios e rotas de transporte de drogas nas últimas décadas. A crise de segurança se intensificou a partir de 2006, quando o governo mexicano iniciou operações militares contra os cartéis.

Guerra às drogas

O presidente Felipe Calderón lançou em 2006 a “guerra às drogas”, mobilizando as forças armadas contra as organizações criminosas. A estratégia desestabilizou os grupos existentes. A ofensiva provocou a fragmentação dessas organizações em facções menores e mais violentas.

As taxas de homicídio aumentaram 300% naquele período como consequência direta dessa fragmentação. De 2007 a 2011, o número de homicídios disparou, superando os 25 mil por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi), entidade mexicana que contabiliza estes números.

As organizações criminosas mexicanas assumiram o comando do tráfico para os EUA após o enfraquecimento dos cartéis colombianos. Os grupos expandiram suas operações para incluir sequestros e extorsão.

A localização geográfica do México representa um fator determinante para a crise. O país faz fronteira com os Estados Unidos, o maior mercado consumidor de drogas do mundo.

Violência se espalha por todo território nacional

A violência, que inicialmente concentrava-se em áreas fronteiriças com os Estados Unidos, espalhou-se por todo o território mexicano. Cidades turísticas passaram a registrar episódios de violência relacionada ao crime organizado. O problema deixou de ser regional para tornar-se nacional.

Níveis recordes de homicídios foram registrados em anos recentes. Entre 2011 e 2016, os números se mantiveram altos e estáveis. E, em 2018, voltaram a disparar, se aproximando os 40 mil assassinatos.

Além das mortes confirmadas, houve elevação no número de pessoas desaparecidas. Desde o início da política de “guerra às drogas”, foram mais de 60 mil desaparecidos.

A população mexicana em geral sofre os impactos da violência. A situação reduziu a confiança da população nas instituições e elevou os níveis de impunidade.

Diferentes administrações governamentais têm tentado conter o narcotráfico. A violência continua representando um desafio central para o país. Os níveis elevados de homicídios devem persistir enquanto não houver mudanças estruturais no combate ao crime organizado e à corrupção institucional.

Leia mais: Saiba como foi operação que matou “El Mencho”, chefe de cartel no México

A corrupção em instituições públicas e a impunidade agravam o cenário. Forças policiais atuam como cúmplices das organizações criminosas ou se mostram incapazes de enfrentar o crime organizado. A violência atinge inclusive destinos turísticos como Cancún e Acapulco. Jornalistas e religiosos tornaram-se alvos frequentes dos grupos criminosos.

No ano passado, o México foi classificado como um dos 10 países mais perigosos do mundo, ocupando posições próximas a zonas de guerra como Palestina, Mianmar e Síria, de acordo com Armed Conflict Location & Event Data (ACLED).

Riscos para jornalistas e padres

Esta violência em níveis extremos atingem principalmente jornalistas e membros da Igreja, notadamente aqueles envolvidos na luta pelos direitos humanos.

Nos últimos anos, o México liderou com folga rankings que hierarquizam países com menor liberdade de opinião e expressão. De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), o país latino-americano é o mais perigoso das Américas para os jornalistas.

Para a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o México foi o país que não está em guerra com o maior número de jornalistas assassinados no mundo em 2022.

Na década passada, o Centro Católico Multimeios (CCM) divulgou levantamento que aponta 18 homicídios de padres entre 2013 e 2017. O país ocupou a posição de nação mais perigosa para o exercício do sacerdócio na América Latina.

O CCM contabilizou 520 ameaças dirigidas a padres no período analisado. O levantamento registra ainda 25 atentados contra seminaristas. Dois sacerdotes permanecem desaparecidos. Outros dois foram alvos de tentativas de sequestro que não se concretizaram.

A violência contra o clero intensificou-se na última década. O número de assassinatos de padres multiplicou-se por cinco em relação aos dez anos anteriores. Os casos concentram-se principalmente nos últimos quatro anos.

MAIS LIDAS

Notícias que importam para você

Senadores dos EUA criam projeto de lei para devolver dinheiro do tarifaço do Trump

Senadores dos EUA apresentam projeto de lei para forçar reembolso das tarifas de Trump consideradas ilegais

Ao todo, 22 senadores democratas assinaram o projeto, que devolveria, com juros, o dinheiro do tarifaço
Uma foto de identificação de um homem de meia-idade com cabelos castanhos curtos e bigode. Ele está posicionado de frente contra um fundo azul sólido e veste o que parece ser uma camiseta branca. A imagem apresenta uma qualidade de resolução baixa e está levemente desfocada nas bordas laterais.

Líder do cartel mais procurado do México foi morto após visita de parceira romântica

Operação em Jalisco foi planejada após informação de confidente ligado à companheira do narcotraficante e provocou ataques retaliatórios pelo México
Membros da Marinha mexicana patrulham o Aeroporto Internacional Benito Juárez após as autoridades reforçarem a segurança em decorrência de bloqueios de estradas e ataques incendiários realizados pelo crime organizado em diversos estados, após uma operação militar na qual, segundo uma fonte do governo, o narcotraficante mexicano Nemesio Oseguera, conhecido como

México envia 2 mil soldados a Jalisco após morte de líder do cartel em operação

Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, morreu durante confronto em Tapalpa no domingo que deixou mais de 70 mortos
Aeroporto de Guadalajara sofre ataque a tiros após morte de líder do cartel

Aeroporto de Guadalajara sofre ataque a tiros após morte de líder do cartel

Homens armados invadiram terminal no domingo, provocando pânico entre passageiros e funcionários após operação militar matar El Mencho