O governo do Paquistão e o governo do Afeganistão anunciaram uma trégua no conflito militar entre os dois países. A suspensão das hostilidades começa nesta quinta-feira (19/03) e vai até a meia-noite de segunda-feira (23/03), no horário local. O cessar-fogo coincide com o Eid al-Fitr, feriado que marca o fim do Ramadã.
O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, comunicou a decisão. A medida atende solicitação da Arábia Saudita, Catar e Turquia.
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O porta-voz do Talibã, Zabiullah Mujahid, confirmou o acordo pela rede social X. Ele declarou: “Por ocasião do Eid al-Fitr e a pedido de países irmãos como a Arábia Saudita, a República da Turquia e o Estado do Catar, as forças de segurança e defesa da IAAF anunciam a suspensão temporária das operações defensivas. O Emirado Islâmico do Afeganistão, embora aprecie a boa vontade dos países amigos e mediadores, observa que considera seu dever nacional e segundo a Sharia proteger a segurança nacional do Afeganistão, a privacidade e a segurança da vida dos afegãos, e responderá a qualquer agressão com coragem em caso de ameaça”.
Confronto iniciou em fevereiro
O conflito militar começou no início de fevereiro. Os dois países registraram confrontos fronteiriços e ataques aéreos no território afegão desde então.
Na segunda-feira (16/03), o governo afegão acusou o Paquistão de bombardear um hospital para usuários de drogas em Cabul. O porta-voz adjunto do governo afegão, Hamdullah Fitrat, informou pelo X que o ataque aconteceu por volta das 21h, no horário local.
O bombardeio destruiu grandes seções do hospital, que tem 2.000 leitos. Fitrat afirmou que o número de mortos chegou a 400 pessoas “até agora”. Cerca de 250 pessoas ficaram feridas.
Estações de televisão locais divulgaram imagens no X. As imagens mostraram forças de segurança usando lanternas para transportar vítimas. Bombeiros trabalhavam para apagar as chamas entre as ruínas do edifício. Fitrat informou que equipes de resgate atuavam para controlar o fogo e recuperar os corpos.
O ataque ocorreu horas depois de autoridades afegãs informarem troca de tiros na fronteira. Quatro pessoas morreram no Afeganistão durante os confrontos.
Paquistão nega ter atingido civis
O Paquistão rejeitou a acusação. O governo paquistanês afirmou que os ataques, realizados também no leste do Afeganistão, não atingiram áreas civis.
O porta-voz do primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, Mosharraf Zaidi, classificou as alegações como infundadas.
O Ministério da Informação do Paquistão divulgou publicação no X. O ministério afirmou que os ataques “visaram precisamente instalações militares e infraestrutura de apoio terrorista, incluindo armazenamento de equipamentos técnicos e armazenamento de munição do Talibã afegão” e militantes paquistaneses baseados no Afeganistão em Cabul e Nangarhar. As instalações estavam sendo usadas contra civis paquistaneses, segundo o órgão.
O ministério declarou que o direcionamento foi “preciso e cuidadosamente realizado para garantir que nenhum dano colateral fosse infligido”. O órgão disse que a alegação de Mujahid era “falsa e enganosa”. A declaração visava estimular sentimentos e cobrir o que o ministério descreveu como “apoio ilegítimo ao terrorismo transfronteiriço”.
O Paquistão acusa Cabul de abrigar grupos militantes, particularmente o Talibã paquistanês. Esses grupos realizam ataques dentro do território paquistanês, segundo o governo paquistanês.




