O rei Charles III da Inglaterra discursou no Congresso dos Estados Unidos nesta terça-feira (28/04), em Washington. O monarca britânico e a rainha Camilla realizam visita oficial de quatro dias ao país norte-americano. A viagem ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Londres e Washington, classificadas por historiadores britânicos como a pior crise anglo-americana em um século.
O pronunciamento destacou a aliança entre as duas nações. Charles III fez referências à independência americana da Inglaterra, que completa 250 anos em 2026. Os congressistas presentes aplaudiram o monarca diversas vezes, inclusive quando ele mencionou os princípios de controle dos poderes Executivos pelo Legislativo e Judiciário, previstos nas Constituições dos dois países.
“A nossa história é uma parceria que nasceu da disputa, mas nem por isso é menos forte. Portanto, podemos discernir que as nossas nações são, na verdade, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade”, disse Charles em seu discurso.
Referências à Otan e à Ucrânia
O rei abordou a aliança militar Ocidental, a Otan, cujos membros recebem críticas frequentes de Trump. Charles III adotou cautela sobre os EUA agirem sozinhos em suas ações pelo mundo, com menções à Otan e à Ucrânia.
Sobre a resposta aos atentados de 11 de setembro, o monarca afirmou: “Imediatamente após o 11 de setembro, quando a Otan invocou o Artigo 5 pela primeira vez e o Conselho de Segurança das Nações Unidas se uniu diante do terror, respondemos juntos ao chamado”.
Charles acrescentou: “Hoje, essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo corajoso – a fim de garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura”.
O monarca destacou a importância da aliança militar entre os países: “O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados estão no cerne da Otan, comprometidos com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. Nossos laços de defesa, inteligência e segurança estão intrinsecamente ligados por meio de relações medidas não em anos, mas em décadas”.
Charles III também deu destaque à defesa do meio ambiente, uma das bandeiras que ele costuma levantar constantemente, desde antes de ascender ao trono.
Crise diplomática entre EUA e Reino Unido
Trump tem feito críticas públicas ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Já chamou os porta-aviões britânicos de “brinquedos” e afirmou que o premiê “não é Winston Churchill”.
Um dos pontos de atrito envolve a soberania das Ilhas Malvinas. Um e-mail vazado do Pentágono indicou que os EUA poderiam rever o apoio ao Reino Unido no tema. O governo britânico reagiu, reiterando que o arquipélago pertence ao país desde 1833, apesar da disputa com a Argentina.
Embora a Casa Branca não tenha comentado oficialmente o vazamento, o documento é visto como pressão sobre aliados da Otan que, na avaliação de Trump — como Reino Unido e Espanha —, estariam contribuindo menos do que o esperado na guerra contra o Irã. Trump é alinhado politicamente com o presidente argentino Javier Milei.
Agenda da visita oficial
A visita de Estado tem duração de quatro dias. A agenda foi definida antes da ofensiva liderada por Trump e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. A viagem marca os 250 anos da independência americana, comemorados no próximo 4 de julho.
Um homem armado invadiu, no sábado (25/04) à noite, um jantar com a imprensa com a intenção de atirar em Trump. Apesar do incidente de segurança no fim de semana, a programação foi mantida, com reforço na proteção do monarca.
Após o pronunciamento, Charles e Camilla participam de um banquete oficial. Na quarta-feira, o casal segue para Nova York, onde prestará homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro e participará de um evento com representantes das indústrias criativas. Na quinta-feira, a agenda continua no estado da Virgínia, em celebrações pelos 250 anos da independência americana.
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