China pede fim de ações militares dos EUA e Israel no Oriente Médio e alerta risco

Ministério das Relações Exteriores chinês solicita cessação imediata de operações após Trump anunciar trégua de 5 dias em ataques contra instalações energéticas do Irã

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: REUTERS/Amr Abdallah Dalsh)

O Ministério das Relações Exteriores da China solicitou nesta segunda-feira (23/03) que Estados Unidos e Israel cessem imediatamente as operações militares no Oriente Médio. Pequim alertou que a continuidade do conflito pode gerar um “ciclo vicioso” na região. A declaração ocorre após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar uma trégua de cinco dias nos ataques contra instalações energéticas iranianas.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou que a guerra “não deveria ter começado”. Ele advertiu: “O prolongamento e a intensificação das hostilidades podem mergulhar toda a região no caos”.

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O enviado especial da China para o Oriente Médio, Zhai Jun, realizou viagens diplomáticas à Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Após as missões, declarou que “quem amarrou o sino deve ser o responsável por desamarrá-lo”. Zhai Jun informou que o governo chinês manterá comunicação próxima com todas as partes envolvidas.

Trégua temporária após ultimato de Trump

No sábado (21/03), Trump estabeleceu um prazo de 48 horas para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo. Ele ameaçou destruir usinas de energia iranianas caso a exigência não fosse cumprida.

Na manhã desta segunda-feira (23/03), o presidente norte-americano anunciou a suspensão temporária das operações militares. Em post na rede Truth Social, Trump afirmou que representantes dos Estados Unidos e do Irã tiveram “conversas muito boas e produtivas” no fim de semana. Ele ordenou o adiamento de qualquer ataque contra a infraestrutura energética iraniana.

Impacto no transporte global de energia

Ataques iranianos praticamente fecharam o Estreito de Ormuz. A passagem responde por aproximadamente um quinto do transporte global de petróleo e gás natural liquefeito. A situação provocou a pior crise do petróleo desde a década de 1970.

A China mantém estoques elevados de petróleo. O carvão ainda representa cerca de 60% da matriz energética do país. Essa configuração confere a Pequim alguma vantagem para lidar com a alta dos preços do petróleo.

O Goldman Sachs revisou para baixo a projeção de crescimento da China no segundo trimestre. O banco elevou a estimativa de inflação para 2026. Segundo relatório da instituição financeira, a desaceleração dos mercados emergentes deve impactar negativamente as exportações chinesas nos próximos meses.

Preocupações econômicas chinesas

Analistas apontam que o conflito pode comprometer o crescimento econômico mundial. A situação diminui a procura por produtos exportados pela China. Economias emergentes, que impulsionam o crescimento das vendas externas chinesas, são mais vulneráveis ao aumento dos custos de energia e à escassez de petróleo.

O aumento nos preços de petróleo e gás pode elevar a inflação na China. A alta pode encerrar o período de queda nos preços ao produtor no país.

Questionado sobre a possibilidade de pressionar o Irã para garantir a passagem segura de navios e cargas chinesas pelo Estreito de Ormuz, Lin Jian disse que o país segue em diálogo com todas as partes.

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