O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizará uma reunião na próxima segunda-feira para analisar a operação militar dos Estados Unidos que depôs o presidente Nicolás Maduro na Venezuela. A Colômbia solicitou a convocação, recebendo apoio da Rússia e da China. A sessão acontecerá neste dia 6 de janeiro, após o governo americano ter assumido o controle temporário do país sul-americano.
A intervenção militar americana ocorreu neste fim de semana, gerando reações imediatas no cenário internacional. O conselho, composto por 15 membros, discutirá pela terceira vez as tensões entre EUA e Venezuela, após encontros anteriores em outubro e dezembro de 2025.
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a situação. Segundo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, o secretário está “alarmado” e considera que a ação representa um “precedente perigoso” que “traz implicações preocupantes para a região”.
O presidente Donald Trump anunciou no sábado (3) que Washington administrará a Venezuela “até o momento em que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa“. O governo americano justificou a operação como parte de uma estratégia mais ampla que inclui ações contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas na costa venezuelana e no Pacífico.
Os EUA intensificaram sua presença militar na região e implementaram um bloqueio a embarcações sujeitas a sanções americanas. No mês passado, interceptaram dois navios-tanque carregados com petróleo venezuelano. Não foram divulgados detalhes sobre como Trump planeja supervisionar a Venezuela durante o período de transição.
O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, enviou uma carta ao Conselho de Segurança no sábado. “Esta é uma guerra colonial que visa destruir nossa forma republicana de governo, livremente escolhida por nosso povo, e impor um governo fantoche que permita a pilhagem de nossos recursos naturais, incluindo as maiores reservas de petróleo do mundo”, afirmou o diplomata.
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Moncada argumentou que os Estados Unidos violaram a Carta da ONU, que determina que “Todos os membros devem abster-se, em suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”.
O porta-voz de Guterres acrescentou que “o secretário-geral continua a enfatizar a importância do respeito total — por todos — ao direito internacional, incluindo a Carta da ONU. Ele está profundamente preocupado que as regras do direito internacional não estão sendo respeitadas”.
