O governo cubano anunciou nesta quinta-feira (02/04) a concessão de indulto a 2.010 detentos. A medida representa a maior libertação de prisioneiros no país em anos. A decisão acontece enquanto a ilha enfrenta grave crise energética e crescente pressão da administração de Donald Trump, nos Estados Unidos.
O indulto foi concedido com base na boa conduta dos prisioneiros, no estado de saúde e na natureza dos “atos cometidos”, segundo comunicado publicado no “Granma”, jornal oficial do Partido Comunista governante. Entre os beneficiados estão jovens, mulheres, pessoas com mais de 60 anos e estrangeiros.
O documento oficial atribuiu a decisão às “celebrações religiosas da Semana Santa”, sem qualquer menção aos Estados Unidos.
Presos condenados por assassinato, homicídio, agressão sexual ou “crimes contra a autoridade” não serão libertados. Este é o quinto indulto concedido pelo governo cubano desde 2011.
Histórico de libertações e negociações internacionais
Havana já realizou grandes solturas de prisioneiros como parte de acordos com atores internacionais. No início de 2025, o país libertou 553 detentos após negociações com os EUA e o Vaticano. Na ocasião, o governo Biden se comprometeu a aliviar sanções contra a ilha.
Trump rescindiu o acordo de libertação de prisioneiros ao assumir o cargo. A medida levou Cuba a pausar temporariamente a soltura de detentos antes de concluí-la em março.
Segundo a Human Rights Watch, Cuba detém e persegue regularmente dissidentes. O grupo inclui ativistas, jornalistas, manifestantes e opositores políticos.
Crise energética agrava situação da ilha
Cuba tem sido alvo da campanha de pressão do governo Trump. A estratégia agravou ainda mais a debilitada economia da ilha. No início deste ano, por meio de ações militares na Venezuela e ameaças de tarifas ao México, o governo Trump interrompeu o fluxo de petróleo para Cuba. O objetivo é forçar o país governado por comunistas a realizar reformas políticas e econômicas significativas.
A ilha está rapidamente ficando sem seu estoque de petróleo. O combustível é utilizado para abastecer veículos e gerar eletricidade. A situação agrava uma crise energética que já se arrasta há anos.
Em março, o país sofreu dois apagões nacionais em apenas uma semana. Os blecautes deixaram mais de 10 milhões de habitantes sem energia elétrica. Cuba já enfrentava apagões prolongados. A situação piorou com usinas de energia sem combustível suficiente para operar.
A vida praticamente parou. Aulas foram suspensas em muitas escolas. Trabalhadores foram afastados para economizar energia. Voos de alguns lugares foram cancelados porque Cuba não tem combustível de aviação suficiente para voos de longa distância.
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No início desta semana, Trump permitiu a entrada de um petroleiro com bandeira russa em águas cubanas. A medida rompeu o bloqueio de combustível. A Casa Branca afirmou posteriormente que isso “não representa uma mudança de política”.
Trump tem insistido que o governo cubano precisa finalmente abrir a economia centralizada da ilha antes que ela entre em colapso. Ele frequentemente fala sobre querer “tomar Cuba”. Ao permitir a entrada do petroleiro russo, Trump declarou: “Eles precisam sobreviver.”
Muitos dos aliados políticos de Trump são linha-dura em relação a Cuba. O secretário de Estado Marco Rubio há muito tempo defende uma reformulação da liderança comunista do país.
Cuba está sob um rigoroso embargo econômico dos Estados Unidos desde 1959. Naquele ano, revolucionários cubanos liderados por Fidel Castro derrubaram o regime apoiado pelos Estados Unidos de Fulgencio Batista. O embargo bloqueia a maior parte das atividades comerciais na ilha envolvendo americanos. A medida cria barreiras legais significativas para novos investimentos.




