Em uma coletiva de imprensa de mais de uma hora na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcou o primeiro aniversário de seu retorno ao poder com um discurso que misturou ataques a aliados, promessas de expansão territorial e uma retórica agressiva contra adversários políticos e imigrantes.
Sem aceitar perguntas inicialmente, Trump utilizou o púlpito para consolidar o tom de seu segundo mandato: uma mistura de nacionalismo econômico e diplomacia transacional.
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Confira os pontos centrais e as frases mais marcantes:
Geopolítica e a “Obsessão” pelo Nobel
O presidente voltou a demonstrar desconforto por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, após o anúncio da vitória da líder venezuelana María Corina Machado. Trump dirigiu críticas diretas à Noruega, país que sedia o comitê de seleção.
“Sabe, eu deveria ter ganhado o Prêmio Nobel por cada guerra [que encerrei], mas não digo isso. Salvei milhões e milhões de pessoas, e não deixem ninguém dizer que a Noruega não controla os tiros.”
Sobre a possibilidade de os Estados Unidos adquirirem a Groenlândia — um projeto que gerou atritos com a Dinamarca e a Otan —, o presidente manteve o mistério com tom de ameaça:
“Vocês vão descobrir.”
Ataques ao Sistema de Justiça e Funcionários Públicos
Trump não poupou adjetivos ao criticar os promotores que o investigaram nos últimos anos, utilizando termos chulos para se referir ao ex-procurador especial Jack Smith.
“Eu removi promotores marxistas de esquerda radical escolhidos a dedo do Departamento de Justiça, como o desequilibrado Jack ‘doente’ Smith. Ele é um filho da p*** doente.”
O presidente também defendeu o corte de milhões de pessoas da folha de pagamento federal, afirmando que a demissão em massa é, na verdade, um benefício para os ex-servidores.
“Não me sinto mal, porque elas estão conseguindo empregos no setor privado e, às vezes, ganhando o dobro, o triplo. (…) Passaram de não gostar de mim a gostar muito de mim.”
Retórica sobre Imigração e Segurança
Acompanhado de cartazes com fotos de presos, o republicano endureceu o discurso contra imigrantes ilegais, comparando-os a grupos criminosos notórios para enfatizar sua periculosidade.
“Eles fazem até os Hells Angels parecerem as pessoas mais doces. Os Hells Angels agora são considerados pessoas boas, de alta qualidade.”
Sobre as operações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), Trump reconheceu a possibilidade de erros fatais, como o caso recente de uma cidadã baleada, mas buscou validação política até na tragédia.
“O ICE pode ser muito duro com alguém, ou, sabe, eles estão lidando com pessoas difíceis, então vão cometer um erro às vezes. (…) Muitas pessoas me disseram isso [sobre o pai da vítima]. Disseram: ‘Ah, ele te adora’.”
O “Golfo de Trump” e o Voto Italiano
Em um momento de descontração que gerou risos na sala, o presidente relembrou a renomeação do Golfo do México para “Golfo da América”, sugerindo que seus planos iniciais eram ainda mais ambiciosos.
“Cheguei a cogitar chamar a região de ‘Golfo de Trump’.”
Ao final, focando na política interna, ele apelou diretamente ao eleitorado de ascendência italiana, vinculando decisões administrativas a pedidos de voto.
“O Dia de Colombo foi oficialmente restabelecido. Gosto do nome Dia de Colombo. (…) Lembrem-se disso quando forem votar.”
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