O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o discurso do Estado da União nesta terça-feira (25) para defender seu governo e tentar reverter a queda na popularidade a meses das eleições de meio de mandato. Em tom nacionalista e eleitoral, afirmou que o país vive uma “era de ouro” desde seu retorno ao poder.
Segundo Trump, ele herdou um país “em ruínas” de Joe Biden, mas promoveu uma “transformação sem precedentes”. “Nossa fronteira está segura, nossos inimigos têm medo e os EUA são respeitados novamente”, declarou.
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O discurso ocorre em meio a um cenário adverso. Pesquisa da CNN/SSRS indica que 68% dos americanos avaliam que Trump não tem priorizado os principais problemas do país. Outro levantamento aponta que cerca de 60% desaprovam sua gestão.
Apesar disso, aliados republicanos aplaudiram de pé boa parte da fala. Democratas reagiram com vaias e protestos dentro do plenário, ampliando o clima de polarização.
Imigração e eleições
Trump reforçou a política de deportação em massa e afirmou que a fronteira está “mais segura do que nunca”. Também pediu ao Congresso a aprovação da “Save America Act”, proposta que exige documento com foto para votar e restringe o voto por correio.
Especialistas, no entanto, afirmam que casos de fraude eleitoral são raros nos EUA, contrariando o discurso do presidente.
Tarifas e Suprema Corte
Um dos momentos mais tensos foi a crítica direta à Supreme Court of the United States, que considerou ilegais as tarifas globais impostas pelo governo. Trump classificou a decisão como “muito lamentável”, diante de ministros presentes no plenário.
As tarifas são apontadas como um dos principais focos de desgaste político e econômico do atual mandato.
Venezuela e política externa
O presidente também chamou a Venezuela de “amiga e parceira”, destacando a importação de petróleo após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas. A declaração marca uma mudança de tom na relação entre os países.
Além disso, manteve o discurso duro em relação a adversários internacionais, especialmente o Irã.
Protestos e boicote
Ao menos 20 parlamentares democratas boicotaram o evento e organizaram um ato paralelo em Washington. Durante o discurso, houve interrupções e troca de acusações no plenário. O deputado Al Green foi retirado após protestar com um cartaz contra declarações consideradas racistas.
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O discurso reforçou a estratégia de Trump de mobilizar sua base conservadora, mas evidenciou o ambiente político dividido no país às vésperas das eleições legislativas.
