Jeffrey Epstein e Steve Bannon trocaram mensagens com elogios a Jair Bolsonaro logo após o primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras de 2018. Os emails foram divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira (30/01). A correspondência faz parte de um conjunto de 3 milhões de arquivos relacionados ao caso Epstein liberados pelas autoridades americanas.
Na comunicação, datada de 8 de outubro de 2018, um dia após o primeiro turno eleitoral no Brasil, Epstein escreveu: “Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO”.
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O contexto da troca de mensagens coincide com o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras, quando Bolsonaro obteve 49,2 milhões de votos (46% dos válidos), contra 31,3 milhões de Fernando Haddad (29,28%), levando a disputa para o segundo turno.
Os emails mostram que Bannon recebeu um convite para assessorar a campanha de Bolsonaro. “Eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?”, questionou o ex-estrategista de Donald Trump. Em resposta, Epstein comentou: “É meio o argumento ‘reino no inferno’ de novo”.
Bannon demonstrou confiança na vitória do candidato brasileiro, afirmando: “Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno”. Epstein respondeu que “Bolsonaro é de verdade”, usando a expressão “the real deal” no original em inglês.
Os dois também discutiram a possibilidade de Bannon viajar ao Brasil. “Se você está confiante na vitória [de Bolsonaro], pode ser bom para sua marca se você fosse visto lá”, sugeriu Epstein.
Em uma das mensagens, Epstein menciona: “Tenho que manter essa coisa do Jair nos bastidores”, indicando discrição sobre seu possível envolvimento. Os documentos não esclarecem se Epstein aceitou algum papel consultivo na campanha ou se Bannon efetivamente viajou ao Brasil naquele período.
Em entrevista à BBC News Brasil durante o período eleitoral de 2018, Bannon descreveu Bolsonaro como “líder”, “brilhante”, “sofisticado” e “muito parecido com Trump”, embora tenha negado participação formal na campanha.
Na mesma entrevista, Bannon afirmou ter “ficado impressionado” com a dinâmica “jovem” da campanha e expressou preocupação com a segurança do candidato: “Minha preocupação número um foi que ele fosse assassinado. Eu nem perguntei ao filho, apenas disse diretamente: ‘Vocês precisam de segurança'”.
Os documentos também revelam que Epstein aconselhou Bannon a evitar mencionar Bolsonaro durante um encontro com o filósofo Noam Chomsky: “A esposa dele é brasileira, então vá com calma ao falar de Bolsonaro. Eles [o casal Chomsky] são amigos do Lula.” “Mas ele é uma figura icônica e não se deve perder a chance de conversar sobre história e política. Vou colocar vocês em contato por e-mail, para que possam se coordenar diretamente”.
Antes do encontro com Chomsky, Epstein alertou Bannon: “Ele vai querer saber se você está do lado dos pequenos: corte de impostos, ataques à saúde pública e as ameaças bolsonaristas aos trabalhadores organizados”.
