Estados Unidos e Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas na terça-feira (07/04). A pausa nos combates, porém, permanece instável. Na manhã de quarta-feira (08/04), ambos os lados registraram ofensivas militares. O Estreito de Ormuz foi reaberto como parte do acordo, mas voltou a ser bloqueado após poucas horas de navegação.
O acordo estabelecia que Estados Unidos e Israel suspenderiam os ataques ao território iraniano durante duas semanas. O Irã deveria garantir a navegação pelo Estreito de Ormuz. A via marítima ficou aberta apenas por algumas horas.
Na quarta-feira (08/04), o Irã denunciou bombardeios contra ilhas iranianas e ofensivas israelenses ao Líbano. Países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait, reportaram ataques com mísseis e drones iranianos durante a vigência da trégua.
As violações ao cessar-fogo ocorreram em meio a três divergências centrais entre as partes sobre os termos do acordo. Os pontos de discordância envolvem a validade de um plano iraniano, o programa nuclear de Teerã e a inclusão ou exclusão do Líbano na trégua.
As negociações oficiais entre as duas nações estão programadas para começar nesta sexta-feira (10/04) em Islamabad, capital do Paquistão. O país atua como mediador das tratativas.
Primeiro ponto de divergência: plano de dez pontos
Na terça-feira (07/04), ao confirmar a trégua, o Irã informou ter enviado aos Estados Unidos, por meio do Paquistão, um plano com dez pontos como condição para finalizar a guerra.
Trump inicialmente classificou a proposta como “base viável” ou “trabalhável” para dar início às negociações definitivas. Na quarta-feira (08/04), o presidente americano afirmou que “apenas alguns pontos” são viáveis.
A Casa Branca declarou que o plano de dez pontos foi considerado “inaceitável”. O governo americano rejeitou a proposta. Segundo Washington, as negociações com Teerã terão como fundamento uma nova proposta iraniana, caracterizada pelos Estados Unidos como “mais condensada e razoável”.
As autoridades iranianas sustentam que a primeira lista continua válida. O governo do Irã defende o documento como base confiável para um acordo.
Segundo ponto de divergência: enriquecimento de urânio
Entre os dez pontos do plano iraniano está a continuidade do enriquecimento de urânio.
Na quarta-feira (08/04), o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã alegou que Washington concordou com este termo. Trump negou. O presidente afirmou que vai “escavar” todo o urânio enriquecido do solo iraniano, inclusive com auxílio de Teerã.
Na noite de terça-feira (07/04), a Associated Press informou sobre inconsistências nas versões do acordo. Conforme a agência, o plano divulgado pelo Irã em língua persa continha a expressão “aceitação do enriquecimento” para seu programa nuclear. O trecho não constava nas versões em inglês compartilhadas por diplomatas iranianos com jornalistas.
O programa de enriquecimento de urânio do Irã é fonte de discórdia entre Teerã e os Estados Unidos há muitos anos. Outros países ocidentais também manifestam preocupação. A questão central reside na possibilidade de que o regime busque desenvolver uma arma nuclear.
Terceiro ponto de divergência: situação do Líbano
O Paquistão e o Irã afirmam que a trégua abrange o Líbano. Segundo esta interpretação, ataques ao país estariam proibidos durante o período do cessar-fogo.
Israel e Estados Unidos declararam que o Líbano e o combate ao Hezbollah estão excluídos do acordo.
Em entrevista à PBS, a rede de TV pública dos EUA, nesta quarta-feira (08/04), Trump disse que “eles (Líbano) não estão incluídos no acordo” de cessar-fogo. O presidente acrescentou: “Por causa do Hezbollah. Eles não foram incluídos no acordo também”.
Na madrugada de quarta-feira (08/04), o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou comunicado afirmando que apoiava a adesão de Trump ao cessar-fogo, “desde que o Irã abra imediatamente os estreitos e interrompa todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região”.
Forças israelenses realizaram nesta quarta-feira (08/04) o maior ataque ao território libanês desde o início da guerra. Os bombardeios deixaram 254 mortos e mais de 830 feridos, segundo balanço das autoridades libanesas.




