Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, negou que deixará o cargo apesar das crescentes pressões relacionadas ao escândalo que conecta Peter Mandelson ao caso Jeffrey Epstein.
Ele fez a declaração nesta terça-feira (10/02), após documentos revelarem que o ex-embaixador britânico, nomeado por Starmer, recebeu recursos financeiros do empresário americano condenado por tráfico sexual e abuso de menores.
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A crise política se agravou quando arquivos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram que Mandelson, além de receber dinheiro de Epstein, teria compartilhado informações confidenciais do governo britânico. Estas descobertas levaram autoridades britânicas a iniciarem uma investigação criminal.
O momento é especialmente delicado para o premiê, que enfrenta índice de aprovação de apenas 18%. O Partido Trabalhista está dividido, com uma ala exigindo sua saída enquanto outra mantém apoio ao líder.
As consequências já afetaram o alto escalão do governo. Morgan McSweeney, chefe de gabinete que sugeriu o nome de Mandelson a Starmer, renunciou no domingo (8/02). Na segunda-feira, Tim Allan, diretor de Comunicação, também deixou seu cargo. Mandelson, casado com um cidadão brasileiro, renunciou à sua posição no Parlamento.
Com a aprovação em apenas 18% e duas renúncias de altos funcionários em dois dias consecutivos, Starmer enfrenta seu período mais crítico desde que assumiu o governo. Ainda não está claro como a investigação criminal avançará e quais outras figuras públicas poderão ser implicadas nos documentos do caso Epstein.
A crise política deve se intensificar nos próximos dias. O Partido Trabalhista permanece dividido entre apoiadores e críticos do premiê, enquanto as investigações criminais sobre Mandelson e Andrew continuam.
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Em sua declaração aos jornalistas, Starmer afirmou: “Jamais abandonarei o mandato que me foi confiado para mudar este país. Jamais abandonarei o povo pelo qual tenho a responsabilidade de lutar, e jamais abandonarei o país que amo”.
Família real
O caso Epstein também atinge a família real. O ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles, aparece em fotografias comprometedoras e está sob investigação por suspeitas de ter fornecido informações privilegiadas sobre investimentos a Epstein.
Sarah, sua ex-esposa, foi mencionada nos documentos por compartilhar detalhes íntimos sobre a filha, princesa Eugenie, em conversas com Epstein após a condenação dele por prostituição de menores em 2008.
A polícia londrina iniciou investigações formais para apurar as denúncias contra Mandelson e o ex-príncipe Andrew. As autoridades britânicas demonstram preocupação com os desdobramentos do caso.
Um porta-voz do príncipe William e da princesa Kate informou que eles estão “profundamente preocupados” com a situação e pensando nas vítimas. O Palácio de Buckingham manifestou disposição para colaborar com as investigações policiais contra Andrew.
