EUA chamam Maduro de “narcoterrorista” na ONU em meio a críticas de Rússia e China

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, discursa durante reunião do Conselho de Segurança

Por Redação TMC | Atualizado em
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, discursa durante reunião do Conselho de Segurança sobre os ataques norte-americanos e a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, na sede das Nações Unidas, em Nova York, em 5 de janeiro de 2026.
Brendan McDermid/Reuters

A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos dominou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (5) e provocou forte reação de aliados de Caracas, como Rússia e China. Washington defendeu a ação e afirmou tratar-se de uma “operação de aplicação da lei”, enquanto críticos acusaram os EUA de violar a soberania venezuelana e o direito internacional.

Representando os Estados Unidos no Conselho de Segurança, o embaixador Mike Waltz afirmou que o país obteve sucesso em uma operação para prender “o narcoterrorista Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores”, classificados por ele como fugitivos da Justiça norte-americana. Segundo Waltz, Maduro é acusado de envolvimento com o tráfico de drogas, terrorismo e ataques contra cidadãos dos EUA ao longo dos últimos anos.

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“O objetivo não é travar uma guerra contra a Venezuela ou contra seu povo. Trata-se do cumprimento de denúncias legais que existem há décadas”, declarou o diplomata. Ele comparou a ação à prisão do ex-ditador panamenho Manuel Noriega, em 1989, e destacou que Maduro responderá a julgamento em território norte-americano.

Rússia e China condenaram duramente a operação. O embaixador chinês Fu Cong afirmou que a captura de Maduro ignorou a soberania, a segurança e os direitos da Venezuela, além de violar princípios básicos do direito internacional. Para ele, os Estados Unidos colocaram o unilateralismo e o uso da força acima da diplomacia, criando riscos à paz na América Latina e no cenário global.

O representante russo, Vasily Nebenzya, classificou a ação como um “retrocesso à era da ilegalidade” e pediu a libertação imediata de Maduro. Segundo ele, os EUA agiram de forma “hipócrita e cínica” e deram sinais de um novo momento de “neocolonialismo e imperialismo”. A Rússia também acusou Washington de tentar se apoderar dos recursos energéticos venezuelanos.

A vice-secretária-geral da ONU afirmou que a organização está preocupada com o fato de a operação não ter respeitado as normas do direito internacional. O governo venezuelano, por sua vez, pediu que o Conselho de Segurança condene o uso da força, exija a libertação de Maduro e Cilia Flores e reafirme o princípio da soberania e da não apropriação de recursos naturais.

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Durante a reunião, Waltz reforçou que os EUA não reconhecem a legitimidade de Maduro como presidente, alegando manipulação eleitoral e repressão política. Ele também acusou o líder venezuelano de chefiar uma organização criminosa conhecida como “Cartel de los Soles”, envolvida com tráfico de drogas, armas e pessoas.

A operação ocorreu na madrugada de sábado (3), quando forças norte-americanas atacaram pontos de Caracas e capturaram Maduro e sua esposa. Ambos compareceram a uma audiência em um tribunal de Nova York nesta segunda-feira e se declararam inocentes. As consequências diplomáticas e políticas da ação seguem em debate na ONU e entre governos da região.

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