EUA classificam Cartel de Juárez e Los Viagras como organizações terroristas

Nova designação amplia instrumentos legais para combate aos grupos e bloqueia bens sob jurisdição americana

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Imagem aérea mostra o campo de futebol onde Idaly Juache costumava jogar. Seus restos mortais foram encontrados dois anos após seu desaparecimento, em 2010, no Vale de Juárez. O registro foi feito em Ciudad Juárez, México, em 22/06/2026, enquanto o governo afirma que apoiar as "madres buscadoras" (mães que procuram familiares desaparecidos) é prioridade, mas parentes de desaparecidos denunciam burocracia, falta de apoio financeiro e a necessidade de realizar buscas por conta própria em áreas controladas por cartéis.
(Foto: Jose Luis Gonzalez/Reuters)

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16/07) a inclusão do Cartel de Juárez e do Los Viagras, ambos do México, na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) e de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT).

Segundo o governo americano, a medida amplia os instrumentos legais para investigar, processar e aplicar sanções contra os dois grupos. A classificação também determina o bloqueio de bens e interesses financeiros que estejam sob jurisdição dos Estados Unidos e, de forma geral, proíbe cidadãos e empresas americanas de realizar transações com as organizações.

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Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que os dois grupos são responsáveis por ataques contra cidadãos americanos, forças de segurança mexicanas e civis. O governo citou como exemplo o massacre ocorrido em Sonora, em 2019, quando nove cidadãos americanos — três adultos e seis crianças — morreram em um ataque atribuído a integrantes da facção La Línea, ligada ao Cartel de Juárez.

A decisão amplia a lista de organizações classificadas como terroristas por Washington. Em fevereiro de 2025, o governo dos EUA já havia adotado a mesma medida contra seis cartéis mexicanos, além de incluir outras organizações criminosas da América Latina, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

De acordo com o Departamento de Estado, a designação busca isolar financeiramente os grupos, dificultando o acesso ao sistema financeiro americano e a recursos que possam ser utilizados em atividades criminosas. O governo também afirma que a classificação fortalece a cooperação entre agências de segurança e autoridades de outros países.

A medida integra a política do presidente Donald Trump de intensificar o combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional. O governo americano defende que a classificação amplia a base jurídica para ações contra essas organizações, enquanto especialistas em direito internacional questionam a equiparação entre cartéis de drogas e grupos terroristas.

O México, por sua vez, mantém posição contrária a qualquer intervenção militar dos Estados Unidos em seu território, apesar da cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.

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