Representantes do Irã e dos Estados Unidos realizaram uma reunião nesta terça-feira (17/02) em Genebra, na Suíça, onde conseguiram avançar nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. O encontro, que durou aproximadamente três horas, foi mediado por Omã e resultou em entendimentos sobre pontos fundamentais para um possível acordo.
A delegação norte-americana foi representada pelo enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump. Por parte do Irã, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, foi o escolhido.
“Chegamos a um entendimento sobre os principais termos com os EUA. Houve bons avanços em comparação com a rodada anterior”, declarou Abbas Araqchi, após o encontro. Segundo ele, equipes técnicas dos dois países trabalharão nos próximos dias na elaboração de documentos preliminares para as próximas etapas das negociações.
Apesar dos progressos, o chanceler iraniano manteve cautela quanto à conclusão imediata das tratativas. “Isso não significa que chegaremos a um acordo em breve, mas o caminho foi aberto”, afirmou Araqchi após esta segunda rodada de conversações entre os dois países em território suíço.
Essa foi a segunda vez que EUA e Irã conversaram sobre o programa nuclear iraniano. No início deste mês, em Omã, a primeira reunião teve “atmosfera muito positiva”.
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As conversações acontecem em um contexto de elevada tensão militar, com Trump ameaçando realizar ataques contra o Irã caso as negociações não resultem em um acordo que limite o programa nuclear iraniano. Antes do encontro em Genebra, uma autoridade iraniana de alto escalão informou à Reuters que o Irã pediu aos EUA que “evitassem exigências fora da realidade”.
A mesma fonte afirmou que a delegação iraniana compareceria às conversações com propostas “genuínas e construtivas”, enfatizando que o sucesso das negociações dependeria da disposição norte-americana em suspender as sanções econômicas. O governo iraniano também destacou que considera a suspensão das sanções como elemento “indissociável” de qualquer acordo com os Estados Unidos.
Possíveis termos do acordo
De acordo com informações publicadas pelo The Wall Street Journal, o Irã estaria preparado para oferecer aos EUA a interrupção do enriquecimento de urânio por três anos, além da transferência de seu estoque de urânio enriquecido para um país aliado, possivelmente a Rússia. Em contrapartida, Teerã exigiria o fim das sanções econômicas, embora não haja confirmação oficial sobre esta proposta.
O presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira (16/02) que participaria “indiretamente” das conversações em Genebra. Na ocasião, o mandatário norte-americano voltou a pressionar o Irã com ameaças militares. “Estarei envolvido indiretamente nas negociações, vamos ver o que vai acontecer. Acho que eles são maus negociadores, porque poderíamos ter tido um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One.
Tensões e posicionamentos
Em meio às tensões militares, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, respondeu às pressões americanas declarando nesta terça-feira (17/02) que Trump não conseguirá derrubar seu regime. Khamenei foi além e ameaçou atacar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, posicionado nas águas do Mar Arábico, dentro do alcance de possíveis operações militares contra o Irã.
Dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que o Irã possui aproximadamente 440 kg de urânio enriquecido a 60%, concentração próxima ao necessário para a fabricação de uma bomba nuclear. A principal autoridade nuclear iraniana indicou esta semana que o país está disposto a diluir seu estoque caso as sanções impostas sejam suspensas.
Enquanto Washington exige que Teerã elimine seus programas nuclear e de mísseis, além de cessar o apoio a grupos armados no Oriente Médio, o regime de Khamenei mantém a posição de que apenas o programa nuclear iraniano estará em discussão nas negociações com os Estados Unidos.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, manifestou na semana passada a disposição do país em permitir “inspeções” da AIEA para comprovar a natureza pacífica de seu programa nuclear. Contudo, advertiu que o Irã não cederá a “exigências excessivas” por parte dos Estados Unidos.
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A tensão militar aumentou ainda mais quando a Guarda Revolucionária do Irã anunciou na segunda-feira (16/02) a realização de novos exercícios militares no Estreito de Ormuz. Como demonstração de força, os Estados Unidos enviaram o USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, para reforçar sua presença militar na região.
Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, expressou ceticismo sobre as negociações, afirmando nesta segunda-feira que alcançar um acordo com o Irã “será difícil”. Trump, por sua vez, mantém postura firme: “Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo.”
Abbas Araqchi reuniu-se com Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA, na segunda-feira (16/02), quando ambos relataram ter mantido uma discussão “aprofundada” sobre questões nucleares, buscando caminhos para verificação internacional das atividades atômicas iranianas. O Irã continua afirmando que seu programa nuclear tem exclusivamente fins pacíficos.
