Os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Oriente Médio em meio à escalada das tensões com o Irã. Imagens de satélite analisadas por especialistas indicam que mísseis do sistema de defesa aérea Patriot foram posicionados em lançadores móveis montados em caminhões na base aérea de Al-Udeid, no Catar, a maior instalação militar americana na região.
A decisão de manter os mísseis em plataformas móveis, e não em posições fixas, sugere um cenário de maior risco. Nesse formato, os sistemas podem ser rapidamente reposicionados para ações defensivas ou ofensivas, caso haja uma resposta militar iraniana.
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Segundo o analista de imagens William Goodhind, da Contested Ground, registros do início de fevereiro mostram até dez sistemas Patriot instalados em caminhões táticos HEMTT na base. Nesta terça-feira (10/02), porém, não estava claro se os equipamentos ainda permaneciam no local.
As imagens também revelam aumento significativo de aeronaves e equipamentos militares em Al-Udeid. Em 01/02, foram identificadas uma aeronave de reconhecimento RC-135, três cargueiros C-130 Hercules, 18 aviões-tanque KC-135 Stratotanker e sete cargueiros C-17. Em 17/01, havia 14 KC-135 e apenas dois C-17.

Movimentações semelhantes foram observadas em outras bases americanas. Na base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, imagens de 2 de fevereiro mostram 17 caças F-15E, oito aviões de ataque A-10, quatro C-130 e quatro helicópteros não identificados. Em outro setor da mesma base, surgiram um C-17, um C-130 e quatro aeronaves de guerra eletrônica EA-18G Growler, que não apareciam em imagens de 25 de janeiro.
O reforço militar ocorre enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensifica o discurso contra Teerã. Em entrevista publicada em 10/02, Trump afirmou que o país pode adotar uma medida “muito dura” caso não haja acordo com o Irã sobre o programa nuclear. Ele também declarou considerar o envio de um segundo porta-aviões ao Oriente Médio, além da frota já presente na região, que inclui o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.
Apesar do tom ameaçador, Trump disse acreditar em uma saída diplomática. “Ou chegamos a um acordo, ou teremos que fazer algo muito duro”, afirmou, lembrando ataques anteriores realizados contra instalações iranianas.
O Irã, por sua vez, rejeita negociações sob ameaça. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que conversas só poderão ocorrer se as pressões forem suspensas e alertou que as Forças Armadas iranianas estão prontas para responder de forma imediata e contundente a qualquer ataque. A Guarda Revolucionária também declarou que bases americanas na região podem ser alvos de retaliação em caso de agressão.
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A tensão entre os dois países se intensificou desde janeiro, após a repressão a protestos antigovernamentais no Irã. Autoridades iranianas afirmam ainda ter reabastecido seus estoques de mísseis após o conflito de junho de 2025, quando Israel e os Estados Unidos bombardearam alvos nucleares e militares iranianos. O país mantém, segundo Teerã, complexos subterrâneos de mísseis em diferentes regiões e segue ampliando sua capacidade militar enquanto as negociações permanecem incertas.
*Com informações da Reuters
