Forças do Comando Central dos Estados Unidos começaram uma operação de detecção e remoção de artefatos explosivos no Estreito de Ormuz. A missão foi anunciada neste sábado (11/04). Autoridades americanas afirmam que a Guarda Revolucionária do Irã instalou as minas navais na hidrovia.
Um porta-voz do comando militar conjunto iraniano contestou a versão americana. Ele negou, por meio da mídia estatal, que embarcações dos EUA tenham transitado pela região.
Detalhes da operação militar
Dois navios de guerra da Marinha americana participam da missão: o USS Frank E. Peterson (DDG 121) e o USS Michael Murphy (DDG 112). As embarcações realizaram a travessia do estreito. Elas já operam em águas do Golfo Árabe.
Reforços chegarão nos próximos dias para intensificar o monitoramento. A missão utilizará drones subaquáticos especializados em identificar objetos no leito marinho. O foco principal é garantir que a via marítima esteja totalmente livre de ameaças.
A presença militar na região será mantida para assegurar que o corredor permaneça aberto e seguro, segundo os EUA. O almirante Brad Cooper, comandante das Forças do Comando Central dos Estados Unidos, afirmou que a prioridade é a criação de um corredor navegável livre de riscos para a marinha mercante.
“Hoje, iniciamos o processo de estabelecimento de uma nova passagem. Em breve, compartilharemos este caminho seguro com a indústria marítima para incentivar o livre fluxo do comércio“, declarou Cooper.
Contexto estratégico
A reabertura do Estreito de Ormuz foi uma das condições impostas por Trump para o cessar-fogo com o Irã. O acordo foi firmado na terça-feira (07/04). A hidrovia é responsável pela passagem de 20% do petróleo mundial.
O estreito é considerado um ponto geográfico vital para a economia global. Ele é a principal saída para o petróleo produzido em diversos países do Oriente Médio. Qualquer interrupção no tráfego local costuma gerar impactos imediatos nos preços internacionais de energia e logística.
Nas primeiras horas após o anúncio do cessar-fogo de duas semanas, o estreito foi reaberto. O fluxo de navios na região aumentou. Israel continuou os ataques ao Líbano, que não faziam parte do acordo inicial anunciado pelos EUA. O Irã voltou a fechar o estreito.
Dados de navegação da LSEG registraram que dois superpetroleiros chineses atravessaram o Estreito de Ormuz neste sábado (11/04). As embarcações podem ser as primeiras a deixar o Golfo desde o acordo de cessar-fogo.
O Irã mantém um arsenal variado de minas de origem soviética, ocidental e de fabricação própria, de acordo com análises do Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas. Um estudo do centro aponta que um dos modelos mais avançados em posse do país seria a EM-52, de origem chinesa.
A mina EM-52 permanece no fundo do mar. Ela dispara uma espécie de foguete em direção ao alvo quando detecta a passagem de uma embarcação. A capacidade iraniana de instalar minas desse tipo em grande escala é limitada, segundo o estudo. O país teria apenas três submarinos apropriados para lançar o modelo.
O Irã poderia usar embarcações pequenas para posicionar minas mais simples, diante da limitação de submarinos.
Um porta-voz do comando militar conjunto do Irã rejeitou a afirmação feita anteriormente por autoridades americanas. Ele acrescentou que a decisão sobre a passagem de qualquer embarcação pelo estreito cabe às forças armadas da República Islâmica do Irã.
A operação ocorre no Estreito de Ormuz, hidrovia estratégica localizada entre o Golfo Árabe e o Golfo de Omã. Não há previsão de quanto tempo a varredura completa irá durar. O CENTCOM informou que compartilhará o caminho seguro com a indústria marítima para incentivar o livre fluxo do comércio.
- Com informações da Reuters
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