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Europa avança em acordo com o Brasil para exploração de minerais críticos

Lítio, níquel e terras raras entram no centro da parceria estratégica entre UE e Mercosul

A União Europeia entrou de forma direta na disputa global pelos minerais críticos do Brasil e negocia um acordo para investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras. A sinalização foi feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, às vésperas da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

A negociação sobre minerais estratégicos é paralela e distinta do tratado comercial, que levou cerca de 25 anos para ser concluído e será assinado neste sábado (17/01), em Assunção, no Paraguai. O acordo Mercosul–UE cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões.

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Segundo Ursula von der Leyen, a cooperação em matérias-primas críticas será um dos pilares da relação entre Europa e Brasil nos próximos anos. A presidente da Comissão Europeia afirmou que os minerais são essenciais para a transição energética, a digitalização da economia e a independência estratégica do bloco em um cenário de crescente disputa geopolítica.

“Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”, declarou.

O interesse europeu ocorre em um momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, também passaram a demonstrar atenção direta aos minerais estratégicos brasileiros. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses recursos sem processamento, o que limita o valor agregado capturado pela economia nacional.

As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a produção de turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos médicos e tecnologias militares. Atualmente, a China domina as etapas de refino e processamento desses minerais, enquanto Estados Unidos e União Europeia buscam diversificar fornecedores para reduzir dependências estratégicas.

Durante o encontro no Palácio do Itamaraty, no Rio, Lula e Ursula von der Leyen também trataram de outros temas da agenda internacional, como a defesa do multilateralismo e do respeito às leis internacionais. Em discurso, a presidente da Comissão Europeia destacou que a parceria estratégica entre Europa e Brasil, firmada há duas décadas, está sendo aprofundada com a assinatura do tratado.

Von der Leyen afirmou ainda que a União Europeia pretende manter altos padrões ambientais, de transparência e de respeito às comunidades locais nos projetos de mineração. Para ela, a cooperação com o Brasil representa um arranjo de “ganha-ganha”, expressão que repetiu ao encerrar sua fala — desta vez, em português.

“O acordo multiplicará oportunidades como nunca antes. A assinatura é apenas o primeiro passo. Os próximos capítulos ainda precisam ser escritos, para que empresas e cidadãos sintam rapidamente os benefícios dessa parceria”, afirmou.

Leia mais: Líder da União Europeia celebra acordo Mercosul-UE: “Conquista de uma geração”

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