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Quem foi ‘El Mencho’, morto pelo exército mexicano em Jalisco

Nemesio Oseguera Cervantes era o principal alvo das forças mexicanas desde 2017 e chefiava a facção CNJG

O Exército do México confirmou nesta segunda (23/02) a execução de Nemesio ‘El Mencho’ Oseguera Cervantes, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), durante operação militar no município de Tapalpa. A ação ocorreu no domingo (22/02), a 130 quilômetros ao sul de Guadalajara, capital do estado de Jalisco. O narcotraficante tinha 56 anos e comandava uma das organizações criminosas mais violentas do país.

Tapalpa fica no estado de Jalisco, que sediará quatro partidas da Copa do Mundo de 2026. O CJNG mantinha forte presença territorial no município onde aconteceu a operação.

Nemesio Oseguera Cervantes, também chamado Nemesio Oseguera Ramos ou Rubén Oseguera Cervantes, era conhecido por vários apelidos. Entre eles estavam “El Mencho” e “El Señor de los Gallos”. Ele nasceu na região conhecida como Tierra Caliente, em Michoacán, provavelmente em Uruapan ou Aguililla.

Na década de 1980, o narcotraficante migrou para os Estados Unidos. Na Califórnia, foi detido várias vezes por delitos menores. No início da década de 1990, começou a se envolver com a venda de drogas. Isso levou à sua deportação.

Ao retornar ao México, ingressou na polícia de um município de Jalisco. Depois optou por se envolver no círculo de proteção do narcotraficante Armando Valencia Cornelio, “El Maradona”. Valencia Cornelio chefiava o cartel Los Valencia (ou Cartel del Milenio).

Oseguera Cervantes era o principal alvo das forças antidrogas do México desde a prisão e extradição de Joaquín “El Chapo” Guzmán para os Estados Unidos em 2017.

A Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA) colocou “El Mencho” em 2020 como seu principal alvo na lista de fugitivos mais procurados. A agência oferecia recompensa de US$ 15 milhões (cerca de R$ 77,6 milhões) por informações que levassem à sua captura.

O governo dos Estados Unidos designou o CJNG como organização terrorista no início de 2025. O governo de Donald Trump incluiu o cartel em uma lista de organizações terroristas que busca combater no continente americano.

O grupo mantinha aliança com o Cartel de Sinaloa. A separação ocorreu em 2010, após a morte de um de seus fundadores, Ignacio “Nacho” Coronel. Ao lado do cunhado Abigael González Valencia, “El Cuini”, Oseguera Cervantes herdou parte da estrutura. A partir desse momento nasceu o CJNG.

O cartel expandiu sua presença de uma quadrilha local nos estados de Jalisco e Colima para uma organização com presença em mais da metade do território mexicano em poucos anos. Sob a liderança de “El Mencho”, o CJNG se tornou uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do país.

O principal negócio do CJNG se concentrava no mercado ilegal de anfetaminas nos Estados Unidos e na Europa. Foram detectados vínculos entre o grupo e o mercado de drogas na Ásia.

A captura de muitos dos principais líderes de cartéis rivais levou à fragmentação de alguns grupos ou quase à extinção de outros. Los Templarios, no estado de Michoacán, foi um exemplo. O CJNG ocupou os espaços deixados pelos rivais no mercado.

O cartel recrutou especialistas em finanças e químicos que desenvolvem novas fórmulas para fabricar drogas sintéticas. As autoridades apontaram, na última década, “El Mencho” como um personagem de alta periculosidade, com grande poder de fogo. Alguns especialistas afirmam que Oseguera Cervantes cresceu ao “triturar” seus grupos rivais.

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