A Assembleia de Peritos realizou duas reuniões virtuais nesta quarta-feira (04/03) para definir o sucessor do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã morto em operação conjunta de Estados Unidos e Israel.
Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá, aparece como principal candidato ao cargo. Três autoridades iranianas com acesso às deliberações sobre a sucessão forneceram as informações ao jornal americano “The New York Times” sob condição de anonimato.
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A Guarda Revolucionária Iraniana exerceu pressão para que Mojtaba seja nomeado. O canal de televisão Iran International divulgou nesta quarta-feira (04/03), citando fontes, que Mojtaba foi escolhido após pressão da Guarda Revolucionária. A informação não recebeu confirmação oficial.
Os clérigos estão divididos sobre o momento de anunciar o escolhido. Parte defende a divulgação na manhã de quarta-feira (04/03). Outros temem que o anúncio exponha o novo líder a ataques de Estados Unidos e Israel.
Candidatos à sucessão
Mojtaba Khamenei tem 56 anos. Ele é uma figura influente, mas reclusa. Atuou nas sombras do império do pai. É conhecido por ter uma relação próxima da Guarda Revolucionária Iraniana, segundo o “The New York Times”.
Outros nomes cotados são Alireza Arafi, clérigo e jurista nomeado líder supremo interino do Irã, e Seyed Hassan Khomeini, neto do aiatolá Ruhollah Khomeini, pai fundador da revolução islâmica. Ambos são considerados moderados, de acordo com o jornal.
Vali Nasr, especialista em Irã da Universidade Johns Hopkins, afirmou ao “The New York Times” que Mojtaba era cotado para ser o sucessor há muito tempo, mas nos últimos dois anos o nome foi deixado de lado. “Se ele for eleito, isso sugere que é uma ala muito mais linha-dura da Guarda Revolucionária que está no comando do regime.”
O aiatolá Ali Khamenei foi morto no ataque. Junto com ele, morreram a esposa de Mojtaba, Zahra Aldel, a mãe de Mojtaba, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, e um filho, segundo informações do governo iraniano.
O ataque que resultou na morte do líder supremo ocorreu na madrugada de sábado (28/02). Estados Unidos e Israel lançaram uma operação coordenada contra o Irã. Trump afirmou que o objetivo da ação era defender o povo americano.
Explosões foram ouvidas em cinco cidades iranianas: Teerã, Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Israel atacou um prédio da Assembleia de Peritos em Qom, no Irã, mas o local estava vazio, conforme informou a agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica.
Leia mais: Israel declara que sucessor de Khamenei no Irã será alvo
Retaliação iraniana
As autoridades iranianas suspenderam o tráfego aéreo no país. Serviços de telefonia e internet apresentaram falhas graves, segundo jornalistas locais.
Forças iranianas lançaram mísseis contra Israel em resposta ao ataque. Israel imediatamente fechou o espaço aéreo. O país declarou estado de emergência. A Força Aérea de Israel informou que interceptou mísseis do Irã. As Forças Armadas israelenses informaram: “Neste momento, a Força Aérea está trabalhando para interceptar e atacar as ameaças”.
Uma autoridade americana afirmou que o Irã retaliou instalações militares dos Estados Unidos. Foram alvejadas instalações localizadas no Qatar, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein, na Jordânia e no norte do Iraque.
