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França recusa convite dos EUA para integrar Conselho de Paz para Gaza

Palácio do Eliseu argumenta que proposta americana é incompatível com Carta da ONU e Resolução 2803, que estabelece medidas para entrega de ajuda humanitária

Por Redação TMC | Atualizado em
O presidente da França, Emmanuel Macron, faz um gesto durante reunião sobre a Nova Caledônia no Palácio do Eliseu, em Paris, em 19/01/2026.
Câmera Fotográfica O presidente da França, Emmanuel Macron, em reunião sobre a Nova Caledônia no Palácio do Eliseu, em Paris (Stephane de Sakutin/Pool/Reuters)

O governo francês decidiu não integrar o Conselho de Paz para Gaza sob as condições propostas pelos Estados Unidos. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (19/01) pelo governo do presidente Emmanuel Macron, que manifestou preocupações com o modelo apresentado por Washington por considerá-lo incompatível com diretrizes fundamentais da Organização das Nações Unidas.

A posição francesa foi comunicada oficialmente após o país receber um convite formal dos EUA para participar da iniciativa. Fontes próximas ao governo Macron informaram à agência EFE que os Estados Unidos estão avaliando o marco jurídico do grupo em coordenação com outros parceiros internacionais.

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O Palácio do Eliseu justificou sua recusa argumentando que o formato proposto para o Conselho contradiz a Carta da ONU e a Resolução 2803. Este documento foi aprovado em 17 de novembro de 2025 e estabelece medidas para fortalecer a entrega de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, além de defender a criação de um caminho para definir o estatuto de um Estado palestino.

Apesar da recusa em participar nas condições atuais, o governo francês reafirmou estar “totalmente comprometido com um cessar-fogo em Gaza e um horizonte político confiável” para israelenses e palestinos. Paris também enfatizou que continuará defendendo “um multilateralismo eficaz” nas relações internacionais.

Composição e objetivos do Conselho

O Conselho de Paz proposto pela administração Trump reúne diversas personalidades políticas internacionais e representa a segunda fase do plano americano para Gaza. Entre os objetivos do grupo estão a instalação de um governo tecnocrático na região palestina e o desarmamento completo do Hamas.

Entre os nomes já confirmados para compor o Conselho estão o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o secretário de Estado americano Marco Rubio e o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff. Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump, também integra a lista de participantes.

Conforme comunicado oficial da Casa Branca, o grupo abordará temas como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.

Outros convidados internacionais

Além da França, a União Europeia também recebeu convite para participar do Conselho de Paz. O presidente russo Vladimir Putin figura entre os convidados, assim como o rei Abdullah II da Jordânia, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, o presidente argentino Javier Milei e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

O Brasil também foi convidado a integrar o Conselho. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta segunda-feira (19) com o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, para analisar o convite dos Estados Unidos, mas ainda não tomou uma decisão. A carta foi encaminhada por Trump a Brasília na sexta-feira (16/01) à tarde, e as primeiras análises no entorno do brasileiro são críticas à proposta.

Leia mais: Lula sai de reunião com Vieira sem definição se aceitará convite de Trump

A equipe do governo brasileiro realiza uma análise minuciosa do documento enviado pela Casa Branca, examinando as possíveis consequências da participação brasileira para as relações diplomáticas na região. Por ora, o governo Lula resiste à ideia de integrar este Conselho da Paz.

A avaliação no Planalto é a de que, da forma como está concebido, o conselho deixa poder excessivo nas mãos de Trump, com o presidente americano decidindo a pauta e quais países integrarão o colegiado. A leitura, na prática, é a de que o conselho proposto por Trump se sobrepõe ao Conselho de Segurança já existente na ONU.

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