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França vai aumentar número de armas nucleares e bases militares na Europa

Macron anuncia envio de caças Rafale com ogivas nucleares para territórios aliados e construção de novo submarino atômico previsto para 2036

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou a expansão do arsenal nuclear e a criação de um esquema de cooperação atômica com oito países europeus. O pronunciamento ocorreu nesta segunda-feira (02/03) na base de submarinos nucleares de Île Longue, na Bretanha. A iniciativa estabelece o envio temporário de aeronaves francesas equipadas com armas nucleares para territórios de países aliados.

O presidente francês apresentou uma atualização da doutrina nuclear durante discurso proferido na base militar bretã, cercado por militares e com um submarino nuclear ao fundo. Macron estabeleceu uma nova estratégia denominada “dissuasão avançada”, que permite o deslocamento de caças Rafale armados com ogivas nucleares para nações parceiras.

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A autoridade final sobre o emprego das armas nucleares francesas permanecerá exclusivamente com o presidente da República Francesa. Macron declarou que os interesses vitais da França “não terminam na fronteira” e abrangem o continente europeu.

Múltiplas ameaças motivam mudança estratégica

A reformulação da doutrina nuclear francesa responde a múltiplas ameaças à segurança europeia. A guerra da Rússia contra a Ucrânia completa seu quinto ano. Conflitos no Oriente Médio se expandem, com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel ao Irã iniciados no sábado anterior ao discurso.

Macron afirmou que esses ataques a Teerã trazem e continuarão trazendo “instabilidade e uma possível conflagração às nossas fronteiras, com as capacidades nucleares e balísticas do Irã ainda intactas”. Países da Otan demonstram preocupação com o compromisso dos Estados Unidos com a aliança militar.

O governo francês mantém conversas com países como Alemanha e Polônia sobre o uso do arsenal atômico francês para reforçar a segurança europeia desde o último discurso de Macron sobre dissuasão nuclear, realizado em 2020.

Oito países aderem ao plano de cooperação

Oito países europeus aderiram ao plano de cooperação nuclear: Alemanha, Reino Unido, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca. Essas nações poderão sediar as “forças aéreas estratégicas” francesas, que poderão “se espalhar pelo continente europeu” para “complicar os cálculos de nossos adversários”, afirmou Macron.

A base de Île Longue abriga os quatro submarinos franceses com mísseis balísticos. Pelo menos um deles permanece no mar em tempo integral para garantir a dissuasão nuclear.

“Devemos fortalecer nossa dissuasão nuclear diante de múltiplas ameaças, e devemos considerar nossa estratégia de dissuasão no interior do continente europeu, com total respeito à nossa soberania”, disse Macron.

França detém quarto maior arsenal nuclear do mundo

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), a França possui 290 das aproximadamente 12.200 armas nucleares existentes no mundo. O país fica atrás de Rússia, Estados Unidos e China.

O arsenal francês conta com quatro submarinos armados com mísseis nucleares, capazes de lançar ogivas com alcance de cerca de 10 mil quilômetros. Os caças Rafale franceses podem disparar cerca de 50 mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares, que oficialmente têm alcance de aproximadamente 500 quilômetros.

Desde a saída do Reino Unido da União Europeia em 2020, a França é a única potência nuclear do bloco.

Macron anunciou que, ao contrário do que fazia antes, a França não divulgará mais o número de suas armas nucleares. Essa mudança na política de transparência impede o conhecimento preciso da evolução do arsenal nuclear francês a partir de agora.

Alemanha como parceiro central da estratégia

Macron destacou a Alemanha como elemento central da cooperação. “A Alemanha é um parceiro-chave”, disse ele sobre a cooperação na área de dissuasão nuclear. “Os primeiros passos dessa colaboração começarão ainda este ano e podem incluir visitas a locais estratégicos, bem como exercícios conjuntos.”

Em paralelo ao discurso, Macron e o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, anunciaram a formação de um grupo dedicado à coordenação entre os dois países. O grupo inclui “consultas sobre a combinação adequada de capacidades convencionais, de defesa antimíssil e nucleares francesas”.

O esquema também poderá envolver “a participação convencional de forças aliadas em nossas atividades nucleares”, como em exercícios militares recentes que contaram com a presença de forças britânicas, acrescentou o presidente francês.

A França aumentará o número de suas ogivas nucleares, embora não divulgue mais essa informação publicamente. Macron anunciou a construção de um novo submarino nuclear capaz de lançar mísseis atômicos, que deverá ser lançado em 2036.

O presidente francês também afirmou: “Quem quer ser livre deve ser temido. Quem quer ser temido deve ser forte”.

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