O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que a França votará contra a assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (8/1), na véspera da reunião de embaixadores do bloco europeu que discutirá os próximos passos do tratado. A Comissão Europeia busca avançar com o acordo, que poderá ser assinado na próxima segunda-feira (12) no Paraguai.
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“Quero dizer aos nossos agricultores, que expressam a posição francesa desde o início, que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, afirmou Macron durante seu pronunciamento.
O acordo UE-Mercosul está sendo negociado há mais de 25 anos e tem como objetivo reduzir as tarifas de importação e exportação entre os blocos, mas há divergências entre países-membros do bloco europeu.
A França têm se mantido resistente ao acordo desde o início por pressão da população e do setor agrícola francês. O principal entrave sinalizado por Macron é a necessidade de proteções para os agricultores europeus, que temem a concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais menos rigorosos que os exigidos pela União Europeia.
Além da França, outros países também já expressaram ser contra o tratado, como a Irlanda, Hungria e Polônia. A Itália, que é considerada fundamental para a concretização do tratado entre os blocos, tem uma posição indefinida.
Nas redes sociais, Macron disse que houve uma rejeição política unânime do acordo na França, apesar das “concessões significativas” para os agricultores da União Europeia. Durante o dia, os agricultores franceses bloquearam avenidas em Paris e pontos de referência como o Arco do Triunfo com tratores em protesto contra o acordo UE-Mercosul.
“A assinatura do acordo não é o fim da história. Continuarei lutando pela implementação total dos compromissos obtidos da Comissão Europeia e para proteger nossos agricultores.”
Entenda como será a negociação do acordo
As negociações acontecem em Bruxelas, onde o Conselho da União Europeia se reunirá amanhã para decidir sobre a autorização da aprovação do texto. Apesar da oposição de alguns países, a Comissão Europeia espera obter o apoio da maioria dos 27 Estados-membros.
Se conseguir o apoio necessário, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, estará autorizada a assinar formalmente o acordo na próxima segunda-feira, criando a maior área de livre comércio do mundo.
Para o Brasil, principal economia do Mercosul, o acordo representa acesso ampliado a um mercado de aproximadamente 451 milhões de consumidores. Os impactos ultrapassam o agronegócio e alcançam diversos segmentos da indústria brasileira.
