Os Estados Unidos formalizaram apoio a uma coalizão internacional que oferecerá garantias de segurança à Ucrânia. O anúncio ocorreu nessa quarta-feira (06/01) durante cúpula em Paris que reuniu principalmente nações europeias na chamada “coalizão dos dispostos”. Esta é a primeira vez que os EUA endossam tais garantias para o país que enfrenta conflito com a Rússia há quase quatro anos.
A iniciativa estabelece mecanismos para proteger o território ucraniano contra futuras agressões russas. Os países participantes concordaram em criar um sistema de monitoramento e verificação de cessar-fogo liderado pela Europa, além da formação de uma “Força Multinacional para a Ucrânia para apoiar a reconstrução das Forças Armadas ucranianas e apoiar a dissuasão”.
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O apoio americano coincide com o momento em que as negociações para encerrar o conflito ganharam novo impulso desde novembro de 2025. A guerra atual teve início em 2022, quando Moscou lançou uma ofensiva em larga escala contra a Ucrânia, que já havia sofrido invasões russas em 2014.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky participou da cúpula ao lado de líderes europeus como os representantes da França, Alemanha e Reino Unido. A delegação norte-americana incluiu Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, além do principal general norte-americano na Europa, Alexus Grynkewich.
A Ucrânia receberá apoio para fortalecer sua posição defensiva e dissuadir futuros ataques russos. Outros participantes do encontro foram o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o primeiro-ministro polonês Donald Tusk e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.
As garantias incluirão mecanismos de monitoramento e verificação de cessar-fogo, provavelmente utilizando drones, sensores e satélites. “Esses compromissos podem incluir o uso de capacidades militares, apoio de inteligência e logístico, iniciativas diplomáticas, adoção de sanções adicionais”, segundo a declaração dos líderes. O documento da coalizão não menciona a presença de tropas norte-americanas em solo ucraniano.
Ainda não está claro como funcionará o monitoramento do cessar-fogo e como o Exército ucraniano será apoiado e financiado. Também permanece incerto se Moscou aceitará um acordo de paz com as garantias de segurança previstas pelos aliados da Ucrânia, considerando que a Rússia rejeitou anteriormente a presença de tropas de integrantes da Otan dentro do território ucraniano.
A partir deste acordo, forças britânicas, francesas e de outros países parceiros poderão operar em solo ucraniano, protegendo o espaço aéreo e marítimo da Ucrânia, além de auxiliar na reconstrução das forças armadas do país.
Após a reunião em Paris, Steve Witkoff, que tem liderado conversas com a Rússia, afirmou que o presidente Trump “fortemente apoia os protocolos de segurança”. Ele acrescentou que estes protocolos visam a “impedir quaisquer ataques, quaisquer novos ataques na Ucrânia, e, caso ocorram, defender-se deles – e eles cumprem ambas as funções. São tão fortes quanto qualquer pessoa já viu.”
Em seu perfil na rede social X, Witkoff declarou que foram feitos “progressos significativos em várias frentes de trabalho, incluindo nosso quadro bilateral de garantias de segurança e um plano de prosperidade”. O enviado norte-americano também afirmou que os EUA concordaram com a coalizão de que “garantias de segurança duradouras e compromissos robustos de prosperidade são essenciais para uma paz duradoura na Ucrânia, e continuaremos a trabalhar juntos nesse esforço.”
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky também se manifestou na plataforma X, afirmando que os acordos eram “um sinal de quão seriamente a Europa e toda a coalizão dos dispostos estão prontos para trabalhar por segurança real”. Zelensky agradeceu aos Estados Unidos “por sua prontidão para ser um suporte em todas as áreas – garantias de segurança, monitoramento de um cessar-fogo e reconstrução.”
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer declarou após a reunião que o anúncio “abre caminho para o quadro legal sob o qual forças britânicas, francesas e parceiras poderiam operar em solo ucraniano, protegendo os céus e mares da Ucrânia e regenerando as forças armadas ucranianas para o futuro.”
