Guerra aberta: por que a relação entre Paquistão e Talibã chegou ao ponto de ruptura?

Troca de ataques e ameaça direta a grandes cidades elevam conflito fronteiriço ao patamar mais grave desde outubro

Por
Soldados do Talibã transportam um lançador de foguetes em um veículo, após troca de tiros entre forças do Paquistão e do Afeganistão, próximo à fronteira de Torkham, no lado afegão
Soldados do Talibã transportam um lançador de foguetes em um veículo, após troca de tiros entre forças do Paquistão e do Afeganistão, próximo à fronteira de Torkham, no lado afegão (Stringer/Reuters)

A escalada militar entre Paquistão e Afeganistão atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (26/02), após trocas de tiros na fronteira e bombardeios contra cidades afegãs. Horas depois, o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou “guerra aberta” contra o governo do Talibã.

A crise é resultado de meses de tensão, acusações mútuas e um cessar-fogo frágil que desmoronou. O estopim foi uma sequência de ataques cruzados:

  • O Paquistão bombardeou supostos alvos do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) em território afegão.
  • O governo afegão respondeu com o que chamou de “operações ofensivas em larga escala” na fronteira.
  • Tropas trocaram tiros por mais de duas horas em áreas montanhosas.
  • Explosões foram registradas em Cabul após sobrevoo de caças.

Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo

Ambos os lados relatam dezenas de mortos. Nenhuma das alegações foi verificada de forma independente.

O centro da disputa: o TTP

O principal ponto de ruptura envolve o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), grupo militante que atua contra o governo paquistanês. Islamabad acusa Cabul de abrigar e não agir contra combatentes do TTP, que atravessariam a fronteira para realizar atentados no Paquistão.

O Talibã nega as acusações e afirma que não permite o uso do território afegão contra países vizinhos e que age apenas em “defesa da soberania nacional”.

Para o Paquistão, porém, a tolerância ao TTP é inaceitável. A declaração de Asif foi direta:

“Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é guerra aberta entre nós e vocês.”

Uma fronteira historicamente instável

A linha que separa os dois países tem cerca de 2.600 km e é palco recorrente de confrontos. Em outubro do ano passado, mais de 70 pessoas morreram em choques na fronteira e cerca de 50 civis afegãos estavam entre as vítimas, segundo a ONU. Um cessar-fogo foi firmado em novembro, mas sempre sob ameaça de ruptura.

Desde então, importantes passagens, como Torkham, permanecem fechadas ou operando com restrições, afetando comércio e fluxo de refugiados.

Bombardeios em Cabul e Kandahar

Na madrugada desta sexta-feira 27/02 (horário local), explosões sacudiram Cabul após a passagem de jatos. Em Kandahar, aeronaves sobrevoaram áreas próximas à residência do líder supremo talibã, Hibatullah Akhundzada. Civis ficaram feridos perto da passagem de Torkham.

O governo paquistanês afirma ter respondido a “disparos não provocados” e diz ter causado “grandes perdas” ao outro lado. O Talibã, por sua vez, afirma ter matado dezenas de soldados paquistaneses.

O conflito entrou oficialmente em uma fase declarada de enfrentamento direto.

Por que isso importa?

A ruptura tem implicações regionais e internacionais:

  • Risco de guerra prolongada entre dois países com histórico de instabilidade.
  • Impacto direto sobre refugiados e comércio transfronteiriço.
  • Possível fortalecimento de grupos extremistas na região.
  • Envolvimento indireto de potências regionais que já tentaram mediar acordos, como Catar, Turquia e Arábia Saudita.

Até o momento, não há sinal concreto de retomada do diálogo. Se não houver mediação externa ou recuo estratégico, a tendência é de novos confrontos nos próximos dias.

Leia mais: Hillary Clinton nega ter informações sobre Epstein e desafia republicanos a convocarem Trump

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05