Jamil Chade
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Nome de referência no jornalismo internacional, Jamil Chade é jornalista e escritor, com vasta experiência em coberturas globais. Como correspondente internacional, analisa as forças que regem a política mundial, com foco especial nas Nações Unidas e nos temas urgentes que definem as relações entre as grandes potências.

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ICE quer monitorar imigrantes 24 horas com aplicativo hacker em celulares

Orçamento atual da polícia de imigração de Donald Trump equivale aos dos exércitos de Israel e Ucrânia

Por Jamil Chade | Atualizado em
(Foto: Rachel James/via REETERS)

O cidadão dos Estados Unidos e do mundo já conhecem bem as operações do ICE “visualmente”; isto é, o que sabemos sobre elas em termos práticos. A novidade, porém, assusta: a polícia de imigração de Donald Trump pretende trazer um sistema impressionante de espionagem de massa, valendo-se de contratos milionários entre o ICE e empresas de tecnologia do mundo todo – inclusive de Israel.

O plano para executar a espionagem seria a utilização de aplicativos de hacking nos celulares de imigrantes, bem como pessoas que estejam de alguma forma próximas ou ao lado de imigrantes. Um destes aplicativos, inclusive, já é conhecido da Anistia Internacional: ele foi utilizado em um contrato entre Itália e Israel, mas o governo de Giorgia Meloni foi obrigado a cancelar o acordo após denúncias da ONG de que jornalistas, ativistas e até mesmo civis estavam sendo monitorados de forma irregular.

Voltando ao ICE, temos então a construção de uma força impressionante e que vem atuando continuadamente nas deportações, inclusive de brasileiros. Os bastidores dizem tudo: é uma força muito bem financiada, que seria o décimo quarto maior batalhão – em termos de dinheiro – caso fosse um exército nacional.

O orçamento do ICE, inclusive, se equipara ao de exércitos como o da Ucrânia e de Israel. A agência têm redobrado seus esforços de recrutamento e prisões, além de ter recebido apoio financeiro e estrutural. Agora, além de tudo, o ICE já começa a ingressar na espionagem.

A intenção do ICE é criar um verdadeiro “centro de monitoramento” onde poderão ser supervisionadas, 24 horas por dia, as redes sociais de imigrantes e de pessoas próximas a imigrantes que o ICE julgue serem de seu interesse.

A resistência anti-ICE, porém, se organiza nesse meio-tempo, principalmente entre artistas, celebridades e ONGs que trabalham com imigrantes, mas também transformando essa influência em atos concretos nos parlamentos estaduais; as “assembleias legislativas” dos Estados Unidos, por assim dizer.

O governo e esses órgãos, oficiais ou não, envolvidos nos esforços anti-ICE travam uma verdadeira batalha: para cada lei passada que bloqueie os esforços do batalhão de imigração, você tem uma resposta do governo federal no Judiciário, tentando reverter esse bloqueio, ou o exercício de pressão política; por exemplo, ameaçando retirar fundos de programas que necessitem de apoio federal.

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