Irã acusa Trump de incitar genocídio após ameaça e promete resposta

Diplomata iraniano na ONU classifica declarações do presidente dos EUA como crimes de guerra

Por Redação TMC | Atualizado em
Iranianos participam de uma cerimônia que marca 40 dias desde a morte de estudantes em um ataque a uma escola primária feminina em Minab
Iranianos participam de uma cerimônia que marca 40 dias desde a morte de estudantes em um ataque a uma escola primária feminina em Minab (Majid Asgaripour/WANA/Reuters)

O representante do Irã na Organização das Nações Unidas classificou as declarações de Donald Trump como incitação a crimes de guerra nesta terça-feira (7). O presidente dos Estados Unidos afirmou que uma civilização inteira pode desaparecer caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz. O prazo estabelecido por Trump termina às 21h no horário de Brasília.

Amir-Saeid Iravani, enviado iraniano na ONU, declarou durante sessão do Conselho de Segurança que as ameaças norte-americanas “constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio”. O diplomata solicitou que a comunidade internacional condene a retórica de Trump. Iravani alertou que a condenação precisa ocorrer antes que seja tarde demais para evitar uma escalada militar na região.

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O enviado iraniano advertiu que seu país não permanecerá passivo diante das ameaças. “O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”, afirmou Iravani durante a reunião do Conselho de Segurança. Teerã está preparado para responder militarmente caso os Estados Unidos executem as ameaças.

Após a manifestação do representante iraniano na ONU, Teerã anunciou que considera diversas pontes e rodovias na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein como alvos militares. As autoridades iranianas pediram que civis evitem circular nesses locais. O anúncio sinaliza uma possível expansão do conflito para países vizinhos.

Trump publicou na rede Truth Social nesta terça-feira (7) que “uma civilização inteira morrerá nesta noite”. A declaração foi feita horas antes do vencimento do ultimato dado pelo presidente norte-americano. O governo iraniano recebeu prazo para reabrir a passagem marítima bloqueada desde o bombardeio conjunto de Estados Unidos e Israel ao território iraniano.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que não deseja esse desfecho. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, escreveu Trump.

Na segunda-feira (6), durante pronunciamento sobre o resgate dos pilotos norte-americanos cujo caça foi abatido no espaço aéreo iraniano, Trump já havia declarado que “o país inteiro pode ser eliminado em uma noite”. As ameaças repetidas do presidente dos Estados Unidos intensificaram a tensão diplomática entre Washington e Teerã nas últimas horas.

Em entrevista ao canal Fox News, Trump reforçou o prazo estabelecido para o Irã. “8 pm vai acontecer”, teria dito o presidente por telefone a um repórter do canal. O horário se refere ao fuso de Washington. O jornalista Brett Baier relatou que Trump mantém a posição de realizar um ataque caso o prazo expire sem acordo entre as partes.

“Ele disse que, se chegarmos a esse ponto, haverá um ataque como nunca se viu antes. E ele mantém essa posição até o momento. Agora, ele disse que se as negociações avançarem hoje e houver algo concreto, isso pode mudar. Mas, neste momento, ele não quis apostar que isso vai ocorrer. Só disse que as negociações estão avançando com os planos que temos”, declarou Baier ao relatar a conversa com Trump.

Estreito de Ormuz permanece bloqueado desde bombardeio

O Estreito de Ormuz representa uma das rotas estratégicas mais importantes do planeta para o comércio global de energia. Cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa por essa passagem marítima. O Irã bloqueou praticamente toda a circulação no estreito desde 28 de fevereiro. Naquela data, Estados Unidos e Israel bombardearam território iraniano.

O fechamento da passagem provocou repercussões nos preços mundiais do petróleo e do gás. As autoridades iranianas não demonstraram sinais de que pretendem ceder às exigências norte-americanas antes do vencimento do ultimato. O bloqueio afeta diretamente o fornecimento global de energia.

A televisão estatal iraniana transmitiu um apelo para que a população forme correntes humanas ao redor das usinas de energia do país. A convocação ocorreu após o presidente norte-americano estabelecer um ultimato de 48 horas no domingo (5). As pontes do país também foram mencionadas como alvos de ameaças que motivaram o pedido de mobilização popular.

Alireza Rahimi, apresentado pela televisão estatal como secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, direcionou o chamado para “todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários e seus professores”. Ele fundamentou a convocação afirmando que “as usinas de energia são nossos ativos e capital nacional”. O país já registrou episódios anteriores de correntes humanas formadas em torno de instalações nucleares durante períodos de tensões elevadas com o Ocidente.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou nesta terça-feira (7) que milhões de cidadãos estão “prontos para se sacrificar” pela nação. “Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã”, afirmou Pezeshkian em publicação no X.

O número apresentado pelo presidente corresponde à quantidade de iranianos que responderam às campanhas da mídia estatal e mensagens de texto incentivando o voluntariado para lutar. O Irã possui população total superior a 90 milhões de habitantes. A agência de notícias Associated Press relatou que a possibilidade de cortes de energia em larga escala paira sobre Teerã.

Clima de desesperança toma conta da capital iraniana

Um jovem em uma cafeteria da capital iraniana comentou, em condição de anonimato, sobre o agravamento da situação. “Sinto que estamos presos entre as lâminas de uma tesoura”, disse o homem. A declaração reflete a percepção de desesperança diante do cenário que se desenha no país.

Irã e Estados Unidos rejeitaram nesta segunda-feira (6) o plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão. O regime iraniano apresentou uma contraproposta que recebeu elogios de Trump. O presidente norte-americano afirmou que ela ainda não era boa o suficiente. As negociações não registraram avanços significativos até o momento.

Segundo informações da agência Reuters, a proposta paquistanesa previa entrada em vigor imediata do cessar-fogo. Isso poderia permitir a reabertura do Estreito de Ormuz. O plano estabelecia que as partes teriam entre 15 e 20 dias para concluir um acordo mais amplo após o início da trégua.

A agência de notícias estatal iraniana Irna informou que o Irã não aceitou a proposta porque prefere negociar o fim total do conflito em vez de uma pausa temporária. Para Teerã, um cessar-fogo temporário daria tempo para os rivais prepararem uma nova leva de ataques, segundo a agência.

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