O regime iraniano retomou o bloqueio do Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (8/04). A declaração ocorreu após Israel realizar o maior ataque contra instalações do Hezbollah no Líbano desde o início da trégua com Estados Unidos e Irã. Agências iranianas informaram que petroleiros foram detidos na passagem marítima.
O Estado judeu manteve sua operação militar contra o Hezbollah no Líbano fora do acordo de cessar-fogo. A exclusão criou uma brecha que Israel utilizou para intensificar ataques no país vizinho.
A agência iraniana Tasnim informou que o Irã pode abandonar o cessar-fogo caso as ações israelenses prossigam. A agência Fars reportou que petroleiros foram parados no estreito devido “à violação do cessar-fogo por Israel”. O número exato de embarcações detidas e o alcance desta ação ainda não estão claros.
O regime iraniano manteve ataques residuais contra países árabes do golfo Pérsico após o início do cessar-fogo. Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos receberam lançamentos de mísseis e drones.
Os Emirados Árabes Unidos registraram 17 mísseis e 35 drones contra seu território nesta quarta-feira. O país foi o mais atingido pela retaliação iraniana no conflito. Recebeu 37% dos 6.562 projéteis e aviões-robôs lançados por Teerã contra o golfo e Israel.
A Arábia Saudita também foi atingida, segundo reportagem do jornal britânico “Financial Times”. O veículo informou sobre ataque iraniano a uma estação de bombeamento de oleoduto saudita usado para exportar petróleo pelo Mar Vermelho. A infraestrutura permite driblar o bloqueio do Estreito de Ormuz. Riad confirmou ter derrubado nove drones.
Forças iranianas afirmaram ter abatido um drone israelense em seu espaço aéreo. O Irã alertou que qualquer aeronave que cruzar seu espaço aéreo sem autorização durante as duas semanas de duração do cessar-fogo será abatida.
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Desconfiança marca início da trégua
A desconfiança entre os rivais marca o início da trégua. A Guarda Revolucionária em Teerã afirmou que as negociações ocorrerão com “dedo no gatilho”.
O acordo de cessar-fogo entrou em vigor na noite de terça-feira (7/04). A trégua começou pouco mais de uma hora antes do prazo estabelecido por Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz. A duração prevista é de duas semanas.
O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general da Força Aérea Dan Caine, afirmou que boa parte da capacidade de lançamento de mísseis iraniana foi atingida. O general declarou que 90% da indústria militar do Irã foi destruída. É impossível confirmar essas informações no momento.
Aproximadamente 1.400 navios estão parados em torno do Estreito de Ormuz. A passagem marítima é controlada ao norte por Teerã. Na terça-feira (7/04), os primeiros seis navios não iranianos cruzaram a rota.
O embaixador iraniano junto à ONU em Genebra, Ali Bahreni, afirmou que a guerra mudou a configuração econômica em Ormuz. A via marítima era responsável pela passagem de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
O embaixador reafirmou que o Irã quer cobrar pedágio pelo trânsito na região. Omã, que possui a maior costa ao sul, deve seguir a mesma linha.




