Irã confirma morte de Ali Larijani, principal operador do regime, em ataque israelense

Político de 67 anos controlava comunicação do governo e era homem de confiança do antigo líder supremo Ali Khamenei, morto em fevereiro

Por Redação TMC | Atualizado em
Ali Larijani, do Irã. Foto: Thaier Al-Sudani/File Photo/Reuters
Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional iraniano (Foto: Thaier Al-Sudani/File Photo/Reuters)

A teocracia iraniana confirmou nesta terça-feira (17/03) a morte de Ali Larijani em uma ofensiva executada por Israel. Chefe de segurança do Irã, Larijani era o principal operador do regime islâmico e a figura central por trás da ascensão de Mojtaba Khamenei ao posto de líder supremo do país. O governo iraniano também confirmou a morte de Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij, uma das principais unidades paramilitares do regime.

Israel executou o ataque durante a madrugada desta terça. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou a operação. A mídia estatal iraniana inicialmente confirmou apenas o falecimento de Soleimani. Posteriormente, a teocracia confirmou também a morte de Larijani.

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Larijani tinha 67 anos. Ele emergiu como o nome mais forte do regime após os ataques conjuntos lançados por Israel e Estados Unidos em 28 de fevereiro. Naquela data, morreram Ali Khamenei, pai de Mojtaba, que comandava o país havia 37 anos, e cerca de 40 lideranças militares e políticas da teocracia.

O político iraniano era homem de confiança do antigo líder e chefe de seu Conselho de Segurança Nacional. Após a morte de Ali Khamenei, Larijani assumiu imediatamente o controle da comunicação do governo. Ele suplantou o presidente Masoud Pezeshkian, que integrava uma trinca constitucional de transição até a escolha do novo líder.

A seleção de Mojtaba Khamenei ocorreu rapidamente, em uma semana, quando foi eleito pela Assembleia dos Especialistas. Houve queixas algo abafadas entre alguns dos 88 integrantes do colegiado acerca da falta de transparência do processo. Larijani conduziu a transição com mão de ferro para manter a estrutura da teocracia.

Após o anúncio da ofensiva por Katz, a conta de Larijani na rede social X publicou uma nota manuscrita sem data. No texto, o político celebrava marinheiros mortos em um ataque de submarino americano contra uma fragata iraniana no oceano Índico.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, declarou que havia determinado “a eliminação de altas autoridades do regime iraniano”. Netanyahu adotou uma postura mais reservada em suas declarações públicas sobre a operação em comparação com Katz. Tanto o primeiro-ministro quanto o ministro da Defesa já afirmaram que o novo líder iraniano também está marcado para morrer. Eles justificam a posição pelo fato de Mojtaba ter mantido a política do pai de pregar a destruição do Estado judeu.

Segundo a mídia israelense e o jornal New York Times, o ataque também teve como alvo Akram al-Ajouri, chefe da ala militar do grupo terrorista palestino Jihad Islâmica. Al-Ajouri se encontrava no Irã. Relatos iniciais, ainda não confirmados, indicam que ele também foi morto na operação.

Soleimani tinha 61 anos. A morte dele ganha destaque porque a milícia Basij, parte da Guarda Revolucionária, é constituída pelos jovens mais ideológicos ligados ao regime. Foi ela que comandou a repressão aos atos contra a teocracia em janeiro, os maiores em 47 anos de regime, que deixaram milhares de mortos.

Larijani mantinha proximidade com a estrutura da Guarda Revolucionária, incrustada em diversos aspectos da vida econômica e civil iraniana. Ele era amplamente visto como o fiador de Mojtaba, figura também próxima da Guarda, mas muito mais reclusa. Existem relatos de que Larijani preferia um nome mais moderado para a liderança.

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