O Ministério das Relações Exteriores do Irã contestou nesta segunda-feira (06/04) a operação americana que resgatou um oficial de sistemas de armas em território iraniano. Autoridades iranianas sugerem que a missão pode ter sido uma tentativa de “roubar urânio enriquecido”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado no domingo o resgate do segundo tripulante de um caça F-15E Strike Eagle abatido na sexta-feira.
A operação foi conduzida por comandos da equipe de elite SEAL Team 6, com participação de centenas de militares. A missão se estendeu por quase 40 horas até a localização do oficial.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baqai, afirmou que há “muitas dúvidas e incertezas” sobre a operação. Ele questionou a distância entre a área onde supostamente estava o piloto americano e o local onde as forças dos EUA tentaram pousar.
“A área onde se alegava que o piloto americano estava, na província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, fica muito distante da área onde tentaram pousar ou pretendiam pousar suas forças no centro do Irã. A possibilidade de que tenha sido uma operação de engano para roubar urânio enriquecido não deve ser ignorada de forma alguma”, declarou Baqai.
Versões divergentes sobre a operação
O caça F-15E Strike Eagle foi atingido no sudoeste do Irã na sexta-feira. Os dois tripulantes conseguiram se ejetar. O piloto foi localizado poucas horas depois. O segundo militar permaneceu escondido por mais de 24 horas em uma região montanhosa.
O oficial escalou uma crista a mais de 2 mil metros de altitude para evitar a captura. Autoridades iranianas ofereceram recompensa de US$ 60 mil pela captura do militar, incentivando a população a entregá-lo às forças locais.
Durante a ação, aviões americanos bombardearam e dispararam contra comboios iranianos para manter distância do local. Forças especiais garantiram a retirada sem confronto direto. O militar foi encontrado com ferimentos, mas sem risco grave.
O militar foi localizado com auxílio da CIA, o que permitiu o planejamento da operação de resgate. Aeronaves utilizadas na operação ficaram presas em um aeroporto abandonado. Parte desses equipamentos precisou ser destruída.
Trump afirmou que não houve baixas entre os americanos. Fontes iranianas relatam mortes de membros da Guarda Revolucionária e outras vítimas durante ataques na região.
Leia mais: IA na guerra? Conheça programa dos EUA que está sendo utilizado contra o Irã
O comando militar iraniano afirmou ter atingido três aeronaves americanas. Autoridades iranianas declararam que a missão fracassou. Esta versão contrasta com a narrativa americana de sucesso total.
Baqai classificou a ação como um “desastre” para os Estados Unidos. Trump classificou a missão como “audaciosa”. Ele afirmou que o sucesso da operação demonstra a superioridade aérea dos EUA sobre o Irã.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou a operação. Ele destacou o princípio de que nenhum militar é deixado para trás. Israel colaborou com inteligência e interrompeu ataques na área para facilitar o resgate.
O incidente representou o primeiro caso conhecido de uma aeronave de combate americana derrubada em território hostil desde o início do conflito, há pouco mais de um mês. A situação aumenta as tensões entre os dois países.




