O órgão religioso iraniano composto por 88 aiatolás concluiu neste domingo (08/03) a escolha do novo líder supremo do país. Ali Khamenei, que ocupava o cargo, morreu em 28 de fevereiro durante bombardeio executado por Estados Unidos e Israel em Teerã. A identidade do sucessor permanece em sigilo.
A Assembleia de Peritos tem a atribuição de selecionar o líder máximo do Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
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Confirmação oficial sem divulgação do nome
Ahmad Alamolhoda, membro da Assembleia de Peritos, confirmou à agência de notícias Mehr a conclusão do processo. “O líder supremo já foi escolhido”, declarou.
A agência de notícias semioficial iraniana Mehr informou que Hosseini Bushehri, chefe do secretariado da Assembleia de Peritos, é o responsável por tornar pública a decisão. Não há informações sobre quando a divulgação oficial do nome será feita.
Ameaças israelenses motivam sigilo
Militares israelenses declararam que vão “perseguir todos os sucessores e qualquer pessoa envolvida na escolha de um novo líder”. A declaração ocorre durante a escalada militar entre os dois países.
O sigilo sobre a identidade do sucessor acontece em meio a essas ameaças diretas de Israel.
Sequência de ataques
O bombardeio que matou Khamenei em 28 de fevereiro atingiu alvos estratégicos na capital iraniana. A operação executada por Estados Unidos e Israel também causou a morte de comandantes militares e integrantes de alto escalão do regime iraniano.
O Exército israelense bombardeou em 3 de março um prédio vinculado à Assembleia de Peritos em Qom, cidade localizada no sul do Irã. A imprensa israelense e a agência estatal iraniana divulgaram a informação. Aiatolás participavam de uma reunião no local durante a ofensiva.
Impacto na estrutura de poder
A morte de Khamenei afeta diretamente a estrutura de poder da República Islâmica do Irã. O país tem 90 milhões de habitantes.
A operação militar desencadeou uma escalada no Oriente Médio. Irã, Israel e forças americanas na região trocam ataques.
Principais locais dos eventos
Teerã, capital do Irã, foi palco da morte de Khamenei e do bombardeio a depósitos de combustível. Qom, no sul do país, teve um prédio da Assembleia de Peritos atacado. Mashhad, cidade sagrada para os xiitas, foi o local de nascimento de Khamenei.
Nono dia de conflito
O conflito chegou ao nono dia neste domingo (8). Israel bombardeou depósitos de combustível em Teerã na madrugada. A operação provocou um grande incêndio e causou quatro mortes.
Quatro depósitos de petróleo e um centro logístico foram atingidos, segundo a AFP. A rede de abastecimento sofreu danos. A distribuição de combustível na cidade foi interrompida temporariamente. A Reuters confirmou imagens do incêndio.
Repercussões internacionais
Bangladesh iniciou racionamento de combustível. O país enfrenta dificuldades de abastecimento relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
A insatisfação popular no Irã aumentou após os ataques de Israel e dos EUA ao país, em junho de 2025. As ofensivas agravaram a crise econômica. No início de 2026, o governo enfrentou uma grande onda de protestos. A repressão com violência por Teerã deixou milhares de mortos.
Origem e ascensão de Khamenei
Ali Khamenei nasceu em 1939 em Mashhad, cidade sagrada para os xiitas. Era o segundo de oito filhos de uma família pobre e devota.
Cresceu durante a monarquia do xá Reza Pahlavi. O Irã mantinha aliança com Estados Unidos e Israel nesse período. Khamenei participou dos protestos contra a monarquia. Foi preso. Em 1977, partiu para o exílio.
A revolução islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini derrubou o xá em 1979. A mudança alterou radicalmente a política externa iraniana. O país passou a defender a eliminação do Estado de Israel. Os Estados Unidos, antigo aliado, passaram a ser chamados de “grande satã”. A expressão representava o imperialismo ocidental.
A ascensão dos clérigos xiitas permitiu a entrada de Ali Khamenei no poder. Ele se tornou homem de confiança do líder supremo.
Consolidação no poder
Khamenei assumiu a condução da oração de sexta-feira em Teerã em 1980 por determinação de Khomeini. Um ataque a bomba em 1981 paralisou sua mão direita.
Foi nesse período também que o Irã começou a financiar e a armar extremistas como o Hezbollah, no Líbano. Mais tarde, os terroristas do Hamas, na Faixa de Gaza, também receberam apoio. Era a chamada guerra por procuração. Ao longo das décadas seguintes, essa estratégia provocou diferentes atentados contra cidadãos israelenses e ocidentais.
Khamenei esteve ao lado de Khomeini durante a guerra contra o Iraque, entre 1980 e 1988. Foi eleito presidente do Irã aos 42 anos com 95% dos votos.
Desde a morte de Khomeini, em 1989, Ali Khamenei liderou o país. Sua escolha como líder supremo foi considerada uma surpresa. Nem todos o julgavam qualificado para suceder Ruhollah Khomeini, o fundador da república islâmica.
Teocracia e concentração de poder
O Irã é uma teocracia. Khamenei acumulou as funções de líder político e líder religioso. Foi o responsável pelas decisões estratégicas da nação. Política externa, segurança e forças armadas estavam sob seu comando.
Podia anular as decisões do presidente. Tinha o poder de demitir qualquer membro do governo a qualquer momento, sem os votos do parlamento. Apresentava-se como o guardião dos valores da revolução islâmica: justiça social, independência nacional e governo islâmico.
Repressão a protestos
Khamenei usou a força para reprimir a dissidência. A Onda Verde de 2009 protestou contra a reeleição do presidente conservador Ahmadinejad.
Em 2019, as periferias se revoltaram contra o aumento dos preços dos combustíveis. Em 2022, uma nova onda de protestos foi reprimida depois da morte da jovem Mahsa Amini. Ela estava sob custódia da polícia moral iraniana. Tinha sido presa por não usar o véu islâmico corretamente. Segundo a família, foi espancada pelos agentes.
O gesto de retirar o hijab e cortar o cabelo em público se tornou um símbolo das manifestações. O governo reagiu com violência, prisões arbitrárias, mortes, perseguição a jornalistas e censura da internet.
Deterioração econômica
Nos últimos anos, Khamenei viu a popularidade do regime cair por causa da insatisfação com a economia cambaleante. A inflação disparou. O desemprego está em alta. A exportação de petróleo já não é mais a mesma.
As sanções impostas pelo Ocidente contribuíram para a crise. As medidas foram aplicadas em represália ao programa nuclear iraniano.
Segurança e últimos anos
Antes do ataque de 28 de fevereiro, o líder iraniano sobreviveu a um atentado em 1981. Também se recuperou de um câncer em 2014.
Desde a morte de Hassan Nasrallah, que comandava o Hezbollah, o Irã aumentou as medidas de segurança para o aiatolá. Em um país em que os veículos de imprensa são controlados pelo regime, não são muitas as informações sobre a rotina do líder supremo. Diziam que ele viveu os últimos meses num bunker subterrâneo em Teerã.




