O Irã atacou o complexo petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita, nesta terça-feira (07/04). Israel bombardeou uma usina petroquímica iraniana em Shiraz e destruiu uma ponte ferroviária em Kashan. Os ataques acontecem horas antes do vencimento do prazo estabelecido por Donald Trump para que Teerã reabra o estreito de Hormuz, às 21h em Brasília.
As forças israelenses atingiram pela segunda vez em dois dias instalações petroquímicas iranianas. Tel Aviv atacou uma usina em Shiraz que, segundo o governo israelense, produzia insumos para explosivos. A destruição da ponte ferroviária em Kashan resultou em duas mortes. A agência iraniana Mehr informou que explosões foram registradas no terminal iraniano da ilha de Kharg, conforme reportagem da Folha de São Paulo.
O Irã bombardeou o complexo petroquímico de Jubail, situado no leste da Arábia Saudita. Informações iniciais indicam que o local foi atingido por sete mísseis e diversos drones. O governo de Riad ainda não confirmou se houve danos na instalação.
Conflito afeta mercado global de energia
A guerra iniciada há cinco semanas pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã motiva a escalada dos ataques. Trump estabeleceu um ultimato para que o Irã reabra o estreito de Hormuz. O presidente americano ameaça bombardear pontes e usinas de energia iranianas caso o estreito não seja reaberto para o tráfego de petróleo e gás natural liquefeito.
A Guarda Revolucionária iraniana declarou nesta terça que “o comedimento acabou”. A organização afirmou estar pronta para interromper o fluxo de petróleo e gás pelo golfo Pérsico “por anos”. A principal estratégia de Teerã contra os ataques americanos e israelenses é afetar o mercado global de energia.
O terminal iraniano na ilha de Kharg exporta 90% do petróleo do Irã em tempos normais. O estreito de Hormuz é responsável por 20% do tráfego de petróleo e gás natural liquefeito mundial. Trump afirmou que pode tomar a ilha com fuzileiros navais e paraquedistas.
O ataque iraniano ao principal terminal de gás natural liquefeito do Qatar removeu quase 20% da capacidade produtiva do país, líder mundial desta commodity. O Irã possui cerca de 13 mil km de linhas ferroviárias bastante usadas entre centros urbanos como Teerã e Mashhad.
A ONG iraniana no exílio americano Hrana divulgou nesta terça um balanço de mortos no país persa: 3.600, sendo 1.665 deles civis. Nesta terça-feira, ao menos oito pessoas morreram em um bombardeio israelense no Líbano.
Negociações prosseguem em meio à escalada militar
Israel sinalizou que deve aderir a um eventual ataque dos Estados Unidos caso os esforços para algum tipo de acordo com o Irã fracassem até as 21h desta terça em Brasília. Os sauditas fecharam uma ponte que liga o país ao Bahrein nesta manhã, temendo que ela seja alvo caso as negociações fracassem.
O Irã declarou que usinas de dessalinização, vitais para o árido Oriente Médio, serão alvos legítimos caso a situação saia de controle. Trump interveio anteriormente e fez Israel prometer que não atacaria mais instalações de gás após o bombardeio em Fars Sul, contendo a disparada nos preços do petróleo e do gás.
As Forças de Defesa de Israel publicaram um aviso em sua conta persa no X para que os moradores evitem o uso de trens ao longo desta terça até as 21h no Irã. “Sua presença em trens ou perto de linhas férreas ameaça suas vidas”, diz o texto.
Nesta terça-feira, a mídia estatal iraniana informou que as conversas seguiam com algum avanço e entraram em “estágios críticos”. O Paquistão, vizinho do Irã e aliado principal da China no Sul da Ásia, está concentrando o trabalho diplomático.
A China importava quase 15% do seu petróleo do Irã. O país busca um acordo comercial amplo com os EUA para restabelecer sua posição exportadora no mercado americano. Trump já mudou quatro vezes o prazo dado para a reabertura de Hormuz.
Na segunda-feira (6), Trump rejeitou uma contraproposta apresentada pelo Irã. A proposta iraniana exigia não apenas uma trégua de 45 dias, conforme pediam os negociadores americanos, mas o fim do conflito e a negociação de uma série de pontos. A contraproposta retomava a lógica de troca de intenções militares do programa nuclear iraniano pelo fim de sanções.
Trump afirmou que pode tomar a ilha de Kharg para si em uma ação com fuzileiros navais e paraquedistas. O presidente americano disse que não se importa com a acusação de crimes de guerra que irá sofrer se atacar alvos civis sem valor militar óbvio, o que ocorre de lado a lado neste conflito.




