O Irã acusou nesta terça-feira (13/01) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de incentivar a desestabilização política, incitar a violência e ameaçar a soberania e a segurança nacional do país. A acusação foi feita em carta enviada pelo embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao secretário-geral da organização, António Guterres.
No documento, Iravani afirma que os Estados Unidos e Israel têm “responsabilidade legal direta” pela morte de civis durante a repressão aos protestos que atingem o país. Segundo organizações de direitos humanos que atuam fora do Irã, cerca de 2.000 pessoas já morreram desde o início das manifestações, consideradas as mais violentas desde a Revolução Islâmica de 1979. Teerã não divulga números oficiais, mas um integrante do próprio regime confirmou à Reuters a mesma estimativa, atribuindo as mortes ao que chamou de “terroristas”.
Acesse o canal da TMC no WhatApp para ficar sempre informado das últimas notícias
A carta é uma resposta direta a publicações recentes de Trump nas redes sociais, nas quais o presidente americano afirmou ter cancelado qualquer diálogo com autoridades iranianas e incentivou manifestantes a “tomarem as instituições”. Para o diplomata iraniano, Washington busca criar um pretexto para uma eventual intervenção militar no país.
Em meio à escalada de tensão, Trump voltou a elevar o tom em entrevista à CBS News e ameaçou adotar “medidas muito fortes” caso o regime iraniano execute manifestantes presos durante os protestos. A declaração ocorreu após o Departamento de Estado dos EUA afirmar que o Irã planeja executar nesta quarta-feira (14/01) o professor Erfan Soltani, de 26 anos, o que seria a primeira aplicação da pena de morte desde o início das manifestações.
“Quando começam a matar milhares de pessoas, e agora você está me falando de enforcamentos, isso não vai acabar bem”, afirmou Trump, sem detalhar quais ações poderiam ser tomadas. Ele também sugeriu que os Estados Unidos podem oferecer ajuda econômica ao povo iraniano, ressaltando que esse apoio não beneficiaria diretamente o regime.
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro, motivados pela crise econômica, pela desvalorização da moeda local e pela inflação, e evoluíram para pedidos de queda da República Islâmica, no poder desde 1979. O governo do aiatolá Ali Khamenei respondeu com forte repressão, bloqueio quase total da internet e ações de forças de segurança contra manifestantes, segundo relatos de moradores e entidades internacionais.
Leia mais: Trump ameaça Irã com “medidas fortes” caso manifestantes sejam executados
