O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta quarta-feira (18/03) que a estrutura política iraniana permanecerá estável após a morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Larijani foi morto em um bombardeio israelense na noite de segunda-feira. Araqchi declarou que Estados Unidos e Israel não conseguirão desestabilizar o regime de Teerã por meio de ataques militares.
O chanceler iraniano concedeu entrevista ao jornal “Al Jazeera”, conglomerado catari que cobre o Oriente Médio. Araqchi defendeu a solidez das instituições do país. “A República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. (…) A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”, disse Abbas Araqchi.
O regime iraniano confirmou a morte de Ali Larijani apenas no final da tarde de terça-feira, no horário de Brasília. Larijani ocupava o cargo de chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional e era considerado líder efetivo do regime desde o início da guerra.
O ministro explicou que o Irã possui um sistema de sucessão estabelecido para posições de comando. Araqchi comparou a situação atual com a morte do líder supremo Ali Khamenei. O processo de substituição seguirá o mesmo padrão. “Se o ministro das Relações Exteriores viesse a ser morto, inevitavelmente haveria outra pessoa para ocupar o cargo”, acrescentou, em referência a ele mesmo.
A declaração remete a uma decisão tomada por Khamenei antes do conflito. Ele nomeou múltiplas camadas de sucessão para cargos-chave do regime iraniano.
Araqchi abordou a questão nuclear iraniana durante a entrevista. O chanceler afirmou que a doutrina nuclear do Irã não deve mudar de forma significativa. Teerã sempre negou ter a intenção de desenvolver armas atômicas. O governo iraniano afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a se manifestar sobre o tema na terça-feira. Trump declarou que “não podemos permitir que lunáticos tenham armas nucleares”, em referência ao Irã.
Araqchi lembrou que o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ainda não se manifestou publicamente sobre armas nucleares. O chanceler disse que o antecessor de Mojtaba se opunha a elas.
O ministro das Relações Exteriores também comentou sobre o Estreito de Ormuz. A rota é vital para o transporte de petróleo mundial. O Irã fechou o estreito no início da guerra. Araqchi disse acreditar que, após o fim do conflito, os países banhados pelo Golfo Pérsico deveriam elaborar um novo protocolo para o estreito.
O protocolo deveria garantir uma passagem segura dos navios, segundo o chanceler. As condições deveriam estar alinhadas aos interesses dos países da região. Os países banhados pelo Golfo Pérsico incluem o Irã e nações árabes.
Araqchi afirmou que os efeitos globais da guerra estão apenas começando. A guerra entrou em seu 19º dia nesta quarta-feira.
O Irã lançou mísseis de fragmentação contra Israel na madrugada desta quarta-feira. O ataque foi uma retaliação pela morte de Larijani. Israel devolveu a agressão com mísseis contra o território iraniano. O Exército dos Estados Unidos afirmou ter bombardeado o sul do Irã com bombas de penetração.




