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Irã não vai se submeter a grandes potências após morte de Khamenei, diz Celso Amorim

O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, avaliou que o Irã deve reagir a tentativas de dominação externa. A declaração foi feita em entrevista ao Poder360 no domingo (1/3). Amorim é o principal conselheiro de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A avaliação do assessor ocorre após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã, capital iraniana, no sábado (28/2), que resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

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“O Irã não vai desaparecer, nem vai se render, nem se prestará a ter um regime que seja títere (marionete) de qualquer outra grande potência”, declarou Amorim. Agora, exatamente como as coisas vão se passar, eu não sei. Não sei se já havia algum entendimento com alguém da guarda revolucionária. Eu sei que o Irã é um país importante, com personalidade, e eu acho que ele vai reagir a qualquer tentativa de dominação absoluta”.

Comparação com o Iraque

Amorim comparou a situação iraniana com o Iraque em 2003, quando o então presidente Saddam Hussein foi capturado.

“É natural que a morte de um líder sempre signifique uma crise de um regime ou de um sistema político, mas também tem que pensar nas consequências. No caso do Iraque, por exemplo, a derrota de Saddam Hussein. O Iraque é um país muito menor, muito menos significativo do que o Irã. A morte de Saddam Hussein acabou, a vitória lá acabou gerando um radicalismo, um extremismo, até favorecendo o nascimento do Estado Islâmico. Acho que não vai acontecer a mesma coisa no Irã, porque, ao contrário do que se diz, o Irã é um país mais estruturado”, afirmou Amorim na entrevista ao Poder360.

O assessor especial da Presidência avaliou que há potencial de escalada em várias frentes. Amorim mencionou que as rivalidades entre países árabes, xiitas e sunitas podem ser intensificadas.

“É muita rivalidade entre os países árabes, entre xiitas e sunitas. O que aconteceu agora vai atiçar um pouco essas rivalidades, o que não é bom”.

Retaliação iraniana

O Irã realizou retaliação contra sete países: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia. O governo brasileiro condenou a retaliação iraniana em nota posterior.

O Itamaraty divulgou nota no dia do ataque, condenando a operação militar e manifestando apoio a Teerã. A nota solicitou que os países resolvessem o conflito por vias diplomáticas e evitassem a escalada.

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu ao governo Lula pelo posicionamento nesta segunda-feira (2/3). Nekounam afirmou em entrevista a jornalistas que a ação do Brasil em condenar a incursão é “valorosa”.

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