O governo de Israel anunciou que impedirá 37 organizações não-governamentais de operar na Faixa de Gaza se não entregarem informações sobre seus funcionários palestinos. O prazo final expira à meia-noite desta quarta-feira (31/12), coincidindo com a noite de ano novo. A medida é justificada por Israel como “necessária” para evitar infiltração de membros de grupos terroristas nas operações humanitárias.
A Médicos Sem Fronteiras (MSF), uma das organizações afetadas, alertou que a decisão comprometerá “cuidados de saúde vitais” para centenas de milhares de pessoas em 2026. Além da MSF, entidades internacionalmente reconhecidas como Oxfam, CARE e World Vision International também estão na lista das que podem ser impedidas de atuar na região.
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O porta-voz israelense Gilad Zwick declarou à agência AFP que algumas organizações se recusam a enviar as listas solicitadas porque teriam funcionários vinculados ao Hamas. “Duvido que o que não fizeram durante dez meses o façam em menos de doze horas“, afirmou Zwick à imprensa.
As autoridades de Israel acusaram especificamente a MSF de empregar pessoas ligadas ao Hamas e à Jihad Islâmica. O Hamas, por sua vez, classificou a decisão israelense como “comportamento criminoso” e um desrespeito ao sistema humanitário internacional.
A exigência estabelece o dia 1º de janeiro como prazo final para que as ONGs cumpram as novas regras relacionadas aos trabalhadores palestinos. A medida pode afetar também operações na Cisjordânia, onde a MSF mantém atividades.
Nove potências mundiais, incluindo Reino Unido e França, emitiram comunicados expressando preocupação com a decisão. A Suíça também se manifestou posteriormente. Estes países solicitaram que Israel não impeça o trabalho das ONGs diante da grave situação humanitária na região.
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Atualmente, cerca de 1,3 milhões de pessoas em Gaza necessitam urgentemente de apoio para alojamento e moradia. O acordo de cessar-fogo firmado em outubro previa a entrada diária de 600 caminhões com suprimentos, mas análises mostram que apenas entre 100 e 300 veículos têm conseguido atravessar a fronteira.
A crise se intensifica com a chegada do inverno e de tempestades que destruíram milhares de tendas em Gaza. Se a proibição for confirmada após o prazo desta quarta-feira, a distribuição de alimentos e assistência médica será severamente afetada em todo o território.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a suspensão das agências como “ultrajante”. Em comunicado oficial, ele declarou: “Relembro às autoridades israelenses sua obrigação, segundo o direito internacional, de garantir o fornecimento de itens essenciais à vida diária em Gaza, inclusive permitindo e facilitando a ajuda humanitária”.
A representante da União Europeia para questões humanitárias, Hadja Lahbib, também criticou as exigências impostas por Israel, afirmando que a atual lei de registro impede a chegada de “ajuda vital” à população. “O DIH [Direito Internacional Humanitário] não deixa margem para dúvidas: a ajuda deve chegar a quem precisa”, publicou em uma rede social.
