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Lula condena ação dos EUA na Venezuela em conversas com Colômbia, México e Canadá

Governantes classificaram operação militar americana como violação à soberania e ao direito internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou conversas telefônicas com os líderes de Colômbia, México e Canadá para tratar da crise na Venezuela. As discussões ocorreram nesta quinta-feira (8), dias após a operação militar dos Estados Unidos que removeu Nicolás Maduro do poder venezuelano no último final de semana.

Durante os diálogos, os presidentes saudaram o anúncio feito pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela sobre a liberação de presos nacionais e estrangeiros.

Em conversa com o presidente colombiano Gustavo Petro, Lula classificou a ação militar norte-americana como “um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional”. Os dois defenderam que a situação na Venezuela deve ser resolvida “exclusivamente por meios pacíficos, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano”.

“Os dois mandatários manifestaram grande preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, em violação ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à soberania da Venezuela”, informou o comunicado oficial.

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O Palácio do Planalto informou que Lula disse a Petro que o Brasil está enviando 40 toneladas de insumos e medicamentos para a Venezuela, de um total de 300 toneladas já arrecadadas. As doações visam reabastecer estoques de produtos e soluções para diálise que estavam em um centro de abastecimento atingido pelos bombardeios de 3 de janeiro.

Na conversa com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, ambos rejeitaram a ideia de divisão do mundo em áreas de influência. “Os dois líderes rejeitaram qualquer visão que possa implicar na divisão ultrapassada do mundo em zonas de influência. Reiteraram, nesse contexto, a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio”, informou o Planalto.

Brasil e México manifestaram interesse em seguir cooperando com a Venezuela em favor da paz, do diálogo e da estabilidade do país e da região. Durante a conversa, Lula convidou Sheinbaum para fazer uma visita ao Brasil, em data a ser negociada entre as chancelarias dos dois países. Os dois concordaram, ainda, em estabelecer cooperação no combate à violência contra a mulher.

Ao falar com o primeiro-ministro canadense Mark Carney, os dois chefes de Estado reafirmaram apoio a um processo de transição pacífico na Venezuela. “Os líderes enfatizaram a necessidade de todas as partes respeitarem o direito internacional e o princípio da soberania”, afirmou o governo canadense. Brasil, Canadá e México repudiaram os ataques contra a soberania venezuelana.

Lula e Carney condenaram o uso da força sem amparo na Carta das Nações Unidas e no direito internacional. O presidente brasileiro destacou que o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente pelo povo venezuelano e que a América do Sul deve continuar sendo uma zona de paz. Ambos concordaram sobre a necessidade de reforma das instituições de governança global.

O primeiro-ministro Carney aceitou convite do presidente Lula para fazer visita ao Brasil em abril, ocasião em que os dois esperam aprofundar as relações bilaterais e o comércio entre os dois países. Os dois manifestaram forte interesse em avançar de forma acelerada na negociação de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá.

Leia mais: Venezuela liberta a ativista de direitos humanos Rocío San Miguel

A operação militar na Venezuela foi ordenada pelo governo de Donald Trump, que retornou à presidência dos EUA após as eleições de 2024.

O diálogo entre Lula e os demais presidentes aconteceu um dia após Petro ter conversado por telefone com Trump. Segundo informações divulgadas pelo americano em sua rede social, eles falaram sobre a “situação das drogas” e “as divergências que tiveram”. A ligação ocorreu após Trump afirmar que uma ação militar também na Colômbia “soava bem”, declaração que levou Petro a chamar o presidente americano de senil.

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