Na noite do domingo (27/07), Lula e Xi Jinping realizaram uma conversa telefônica para alinhar posições sobre comércio, conflitos armados e a relação com os Estados Unidos. De acordo com nota divulgada pelo governo brasileiro, os dois líderes concordaram em dar mais velocidade às tratativas de um acordo comercial entre a China e o Mercosul, além de expandir a cooperação em setores como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e fertilizantes.
O telefonema aconteceu no mesmo dia em que Lula assinou um artigo no The Washington Post chamando as novas tarifas americanas de erro estratégico. No texto, o presidente declarou que o Brasil vai procurar novos caminhos para expandir investimentos e parcerias econômicas. A nota do Planalto, contudo, não menciona o assunto das tarifas como parte do diálogo com Xi.
Apoio chinês e rejeição à interferência externa
A agência estatal chinesa Xinhua relatou que Xi Jinping declarou apoio ao Brasil na rejeição de interferência externa. Segundo o comunicado de Pequim, o líder chinês afirmou que “o país valoriza profundamente o status internacional e a importante influência do Brasil, apoia o país na salvaguarda de sua soberania e independência, opõe-se à interferência externa e contribuirá para a manutenção da paz e da estabilidade regional e global”. Xi também enfatizou que China e Brasil, como membros importantes do Sul Global, devem “se posicionar firmemente ao lado da justiça histórica e do progresso da civilização”, atuando em favor da “defesa da equidade e da justiça internacionais”.
Os dois líderes também concordaram em manter coordenação próxima em fóruns multilaterais, como a ONU (Organização das Nações Unidas) e o Brics, bloco que reúne economias emergentes. Segundo a nota do governo Lula, o comércio bilateral entre Brasil e China atingiu um novo patamar, sem que valores específicos fossem divulgados.
Críticas ao Conselho de Segurança e preocupação com Gaza
Conforme a nota do Planalto, os dois presidentes demonstraram inquietação diante do avanço dos conflitos armados pelo mundo. Lula e Xi também teceram críticas à paralisia do Conselho de Segurança da ONU diante das crises internacionais — órgão encarregado da paz e da segurança globais, mas cujas decisões são frequentemente travadas pelo poder de veto dos membros permanentes.
A situação humanitária em Gaza integrou a pauta do telefonema. Segundo os comunicados, os dois líderes manifestaram preocupação com a persistência do conflito na região. Eles também sinalizaram que o bloqueio à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, rotas marítimas essenciais para o escoamento global de petróleo e mercadorias, gera consequências econômicas negativas para o mundo.
Grupo de Amigos da Paz
Brasil e China lançaram em conjunto, em setembro de 2024, o Grupo de Amigos da Paz na ONU, iniciativa voltada à promoção de negociações diplomáticas em conflitos internacionais. A iniciativa pode ter papel relevante em discussões sobre a guerra na Ucrânia, segundo os fatos centrais da conversa entre os dois presidentes.




