A França solicitou a realização de um exercício militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Groenlândia. O gabinete do presidente Emmanuel Macron divulgou a informação nesta quarta-feira (21/01). O país europeu afirmou estar “pronto para contribuir” com a operação, que ocorre enquanto o território ártico, pertencente à Dinamarca, é alvo de interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O pedido francês acontece após Trump iniciar movimentos para incorporar a Groenlândia ao território americano, criando um impasse diplomático entre os EUA e a União Europeia. Na terça-feira (20/01), o presidente americano divulgou uma mensagem privada que Macron lhe enviou, na qual o líder francês questionava: “Não entendo o que você está fazendo”.
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Os representantes da União Europeia agendaram um encontro emergencial para quinta-feira (22/01), em Bruxelas. Paralelamente, Macron propôs a Trump a realização de uma reunião com o G7 em Paris, também programada para a tarde de quinta-feira.
A disputa coloca em lados opostos os Estados Unidos e a União Europeia, que defende a soberania dinamarquesa sobre o território ártico. A Casa Branca tem manifestado crescente interesse pela região, enquanto os líderes europeus buscam conter as pretensões americanas.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, orientou os habitantes locais a se prepararem para uma possível invasão militar americana. Durante entrevista coletiva realizada na terça-feira (20/01), Nielsen confirmou que as autoridades groenlandesas estão se organizando para um eventual ataque.
“O líder do outro lado (Donald Trump) deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo”, afirmou Nielsen durante a coletiva.
O governo groenlandês criou uma força-tarefa para orientar a população sobre medidas preventivas, como estocar alimentos, segundo informações da agência Bloomberg. As autoridades também preparam panfletos com instruções sobre como proceder em caso de invasão militar.
Nielsen avaliou a probabilidade de um conflito armado: “Não é provável que haja um conflito militar, mas não podemos descartar essa possibilidade”. O premiê destacou ainda a posição estratégica do território: “Mas precisamos enfatizar que a Groenlândia faz parte da aliança ocidental, a Otan, e, se houver uma escalada ainda maior, isso também terá consequências para todo o mundo exterior”.
A Otan ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido francês para realizar exercícios militares na região.
