A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã acende um alerta para a comunidade brasileira que vive no Oriente Médio. De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, 63.685 brasileiros residem atualmente em nações diretamente atingidas ou próximas dos ataques registrados na região. O número inclui cidadãos que vivem em países que sofreram bombardeios, retaliações ou que hospedam bases militares norte-americanas, potenciais alvos em meio ao agravamento da crise.
Segundo o Itamaraty, a maior comunidade brasileira na região está no Líbano, com 22.000 pessoas, seguida por 14.000 brasileiros em Israel e 10.365 nos Emirados Árabes Unidos. Também há 6.500 brasileiros na Palestina, 3.500 na Jordânia e 3.500 na Síria. Em outros países da região, os números incluem 2.000 brasileiros no Catar, 750 na Arábia Saudita, 300 no Bahrein, 300 em Omã, 280 no Kuwait, 100 no Iraque, 85 no Irã e 5 no Iêmen. Os dados são de 2023 e equivalem o último relatório emitido. Eles evidenciam a presença significativa de brasileiros em áreas sob risco direto ou em países vizinhos ao epicentro do conflito e podem ser conferidos aqui.
Acompanhe tudo o que acontece no Brasil e no mundo: siga a TMC no WhatsApp

O cenário se agravou após bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder político e religioso do Irã. Outras autoridades de alto escalão do país também teriam morrido nos ataques. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel, ampliando a dimensão da crise. As ofensivas iranianas também alcançaram Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, países que abrigam bases militares norte-americanas.
Nos Emirados Árabes Unidos, os ataques ocorreram entre sábado (28/02) e domingo (01/03) e atingiram os aeroportos internacionais de Dubai e de Abu Dhabi. Ao menos uma pessoa morreu e 11 ficaram feridas. Nesta segunda-feira (02/03), o emirado de Dubai retomou as operações nos aeroportos internacionais de Dubai e de Al Maktoum, ainda de forma limitada.
Diante da escalada, o chanceler brasileiro Mauro Vieira conversou por telefone com Abdullah bin Zayed Al Nahyan, ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos. O contato ocorreu nesta segunda-feira (02/03), por iniciativa do próprio Al Nahyan, após o Irã atacar território emiradense em resposta às operações conduzidas por Estados Unidos e Israel que culminaram na morte de Ali Khamenei.
Segundo o Palácio Itamaraty, os chanceleres trataram da atual situação no Oriente Médio e do fechamento do espaço aéreo na região, medida que impacta diretamente turistas brasileiros que visitam o país ou que ficaram retidos nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi. No último sábado, o Itamaraty manifestou solidariedade aos Emirados Árabes Unidos em razão dos “ataques retaliatórios” e ressaltou que a legítima defesa prevista no artigo 51 da Carta das Nações Unidas é medida excepcional, devendo observar critérios de proporcionalidade e vínculo com o ataque armado.
Durante a conversa, os ministros também discutiram o seguimento da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Abu Dhabi, realizada na semana passada, além das perspectivas para a conclusão das negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e os Emirados Árabes Unidos, que seguem em andamento mesmo diante do cenário de instabilidade regional.
Leia mais: Irã alerta que vai incendiar navios que cruzarem Estreito de Ormuz, diz Guarda Revolucionária
