Novo líder do Irã está lúcido, mas teve rosto desfigurado em ataque a Teerã, diz agência

Mojtaba Khamenei assumiu comando após pai morrer em bombardeio ao complexo governamental em 28 de fevereiro e mantém capacidade mental preservada, apesar de ferimentos graves no rosto e pernas

Por Redação TMC | Atualizado em
Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã (Foto: West Asia News Agency via REUTERS)

Mojtaba Khamenei assumiu o comando do Irã após a morte do pai, Ali Khamenei, em ataque aéreo ao complexo do líder supremo no centro de Teerã. O bombardeio ocorreu em 28 de fevereiro. Três fontes próximas ao círculo interno do governo informaram à agência Reuters que o novo líder, de 56 anos, mantém a capacidade mental preservada, porém sofreu desfiguração facial e ferimentos graves nas pernas.

O líder supremo não apareceu publicamente desde o ataque. Nenhuma foto, vídeo ou gravação de áudio foi divulgada após sua nomeação como sucessor. As fontes, que pediram anonimato, afirmaram que Khamenei participa ativamente das decisões governamentais por meio de reuniões com autoridades por áudio.

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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou em 13 de março que Khamenei estava “ferido e provavelmente desfigurado”. Uma fonte familiarizada com avaliações da inteligência americana disse à Reuters que o líder teria perdido uma perna.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as informações. A missão do Irã nas Nações Unidas não respondeu aos questionamentos sobre a gravidade dos ferimentos nem sobre o motivo da ausência de imagens públicas do líder.

Primeira mensagem após ataque

A primeira comunicação de Mojtaba Khamenei aos iranianos aconteceu em 12 de março. Uma mensagem escrita foi lida na televisão estatal. Um apresentador da TV estatal descreveu o líder como “janbaz”, termo usado para pessoas gravemente feridas em guerra.

Khamenei afirmou que o Estreito de Ormuz deveria permanecer fechado. Alertou países da região para encerrarem bases militares americanas. Desde então, o gabinete divulgou apenas breves comunicados escritos. Pronunciamentos sobre a guerra, diplomacia, negociações de cessar-fogo e política interna têm sido feitos por outras autoridades.

Previsão de aparição pública

Uma das fontes próximas ao círculo do líder afirmou que imagens de Khamenei podem ser divulgadas em um ou dois meses. Ele poderá aparecer em público quando as condições de saúde e segurança permitirem. Apoiadores do governo justificam a ausência pública como medida necessária diante da ameaça de novos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel, que já atingiram parte da liderança iraniana.

O paradeiro, a condição física e a capacidade de governar de Mojtaba permanecem em grande parte desconhecidos pelo público. As dúvidas sobre a capacidade de Khamenei de governar surgem em um dos momentos mais críticos do Irã em décadas. Neste sábado (11), iniciaram as negociações de paz com os Estados Unidos em Islamabad, capital do Paquistão.

Autoridade menor que antecessores

O sistema teocrático iraniano concentra o poder máximo do Estado no líder supremo. O cargo é ocupado por um clérigo xiita escolhido por uma assembleia de 88 aiatolás. O líder supervisiona o presidente eleito e comanda instituições paralelas, incluindo a Guarda Revolucionária.

Fontes iranianas já haviam dito à Reuters que Mojtaba Khamenei não possui o mesmo nível de autoridade absoluta que seus antecessores. Alex Vatanka, pesquisador do Middle East Institute, afirmou que, independentemente da gravidade dos ferimentos, é improvável que o novo líder exerça o mesmo nível de poder do pai. Mojtaba representa continuidade política, mas pode levar anos até consolidar autoridade semelhante.

Vatanka declarou: “Ele será uma voz importante, mas não necessariamente decisiva. Ele precisa provar que é uma voz confiável, forte e dominante. O regime como um todo terá de decidir qual caminho pretende seguir.”

Durante a guerra, a Guarda Revolucionária passou a ter papel central nas decisões estratégicas. A Guarda Revolucionária apoiou a ascensão de Mojtaba após o assassinato do pai.

O primeiro líder supremo do país, o aiatolá Ruhollah Khomeini, exercia autoridade incontestável após a revolução islâmica. Ali Khamenei, sucessor dele, tinha menor prestígio religioso, mas havia sido presidente. Passou décadas consolidando poder, em parte ao fortalecer a Guarda Revolucionária.

Há poucas informações públicas sobre a visão política do novo líder. Especialistas afirmam que, embora seja visto como alinhado à linha dura do regime por causa dos vínculos com os militares, ainda faltam dados sobre suas posições políticas específicas.

A ausência do líder tem sido amplamente discutida nas redes sociais iranianas e em aplicativos de mensagens, quando a internet do país permite acesso. Teorias da conspiração sobre o estado de saúde e sobre quem governa o país circulam online. Um dos memes mais compartilhados mostra uma cadeira vazia iluminada por um holofote com a frase: “Onde está Mojtaba?”.

Mohammad Hosseini, integrante do Basij, milícia voluntária ligada à Guarda Revolucionária, na cidade de Qom, escreveu por mensagem: “Por que ele deveria aparecer em público? Para virar alvo desses criminosos?”.

Com informações da Reuters

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