Benjamin Netanyahu declarou que o Líbano não integra o cessar-fogo de 14 dias estabelecido entre Estados Unidos e Irã. O primeiro-ministro de Israel fez o anúncio nesta quarta-feira (8). A trégua, mediada pelo Paquistão, encerrou 38 dias de confrontos militares que começaram em 28 de fevereiro.
A declaração do líder israelense contradiz o anúncio inicial do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. O mediador havia informado a suspensão dos ataques em todas as frentes do conflito.
O gabinete de Netanyahu publicou uma nota na plataforma X durante a madrugada desta quarta-feira. O comunicado declarou o compromisso israelense em alcançar os objetivos dos EUA e aliados. O texto deixou o Líbano fora da trégua, contrariando a versão apresentada pelas autoridades paquistanesas sobre a abrangência da interrupção das hostilidades.
Nas primeiras horas de quarta-feira, as forças armadas israelenses emitiram alertas de evacuação para a cidade de Tiro, no sul do Líbano. Segundo a agência Reuters, os militares instruíram os moradores a se deslocarem para o norte do Rio Zahrani. As forças armadas informaram que realizarão operações na região.
Os governos norte-americano e iraniano confirmaram a suspensão das hostilidades após mais de um mês de operações militares. O cessar-fogo entrou em vigor nesta quarta-feira. A passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, bloqueada durante o conflito, voltará a funcionar com coordenação das forças iranianas e dentro de limitações técnicas.
Ultimato de Trump motivou acordo
Donald Trump havia estabelecido um ultimato ao Irã. O presidente norte-americano ameaçou atacar estruturas energéticas e pontes do país caso não houvesse acordo até as 21h de terça-feira. Trump chegou a declarar que uma “civilização inteira” morreria.
Noventa minutos antes do término do prazo, Trump anunciou em rede social que concordara em adiar os ataques por duas semanas. A decisão foi condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã após o início do conflito.
A pressão militar norte-americana e a mediação paquistanesa levaram as partes a aceitarem a trégua temporária como primeiro passo para negociações mais amplas.
Israel justifica as operações militares no Líbano afirmando que mira o Hezbollah. O grupo extremista é aliado do Irã e opera no país. O Hezbollah realizou ataques contra território israelense.
Sob o argumento de proteger seu território, Israel invadiu a região sul do Líbano. As forças israelenses estabeleceram controle militar sobre toda a área até o rio Litani. As operações incluíram bombardeios aéreos contra Beirute, a capital libanesa. O Vale do Beqaa, situado na porção leste do país, também foi alvo de ataques.
Desde 28 de fevereiro, quando a guerra teve início, o território libanês vem sendo alvo de ofensivas israelenses constantes. Autoridades libanesas contabilizam mais de 1.500 mortos em ataques israelenses desde que o conflito começou. O número de feridos ultrapassa 4.800 pessoas.
Negociações começam na sexta-feira
Autoridades iranianas e norte-americanas se reunirão em Islamabad na próxima sexta-feira (10). O encontro dará início às negociações de um acordo de paz definitivo. As conversas terão como base o plano de 10 pontos apresentado por Teerã.
Segundo o governo iraniano, a proposta exige o fim das sanções dos EUA, pagamento de compensações e liberação de ativos iranianos congelados. A agência Mehr, controlada pelo governo iraniano, afirmou que os 10 pontos apresentados por Teerã incluem: não agressão; permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz; aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã; suspensão de todas as sanções primárias ao Irã; suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã; revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU; revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA; pagamento de indenização ao Irã; retirada das forças de combate dos EUA da região; e cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.
Segundo a Associated Press (AP), o Irã divulgou plano de cessar-fogo de 10 pontos na versão em língua farsi com a frase “aceitação do enriquecimento” para seu programa nuclear. Essa informação estava ausente nas versões em inglês compartilhadas por diplomatas iranianos com jornalistas.
Além da reabertura do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos já haviam apresentado outras condições para encerrar a guerra. Entre as exigências está o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares. Os pontos incluem: limitação do alcance e da quantidade de mísseis iranianos; desativação de usinas de enriquecimento de urânio; fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah; e criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.
Trump afirmou que o plano iraniano é uma base viável. O presidente norte-americano ressalvou que ainda há pontos de discordância. Não foram divulgados detalhes sobre as limitações técnicas mencionadas para a navegação no Estreito de Ormuz.
Trump declarou que os Estados Unidos já venceram a guerra. Ao anunciar a trégua, afirmou que todos os objetivos americanos foram alcançados.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a ofensiva como um sucesso. “Esta é uma vitória para os Estados Unidos, conquistada pelo presidente Trump e pelas nossas forças armadas”, disse Leavitt. “Graças às nossas capacidades militares, alcançamos e superamos os principais objetivos em 38 dias.”
A mídia estatal iraniana classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump”. Agências oficiais afirmaram que os EUA aceitaram os termos de Teerã. Veículos controlados pelo governo iraniano declararam que o Irã resistiu e que os americanos não atingiram seus objetivos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o fim dos ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo ele, a passagem de navios será segura, com coordenação das forças iranianas e dentro de limitações técnicas. O chanceler afirmou que os Estados Unidos aceitaram as condições da proposta.




