Um novo episódio envolvendo a família da advogada argentina Agostina Páez ampliou a repercussão do caso de injúria racial que tramita na Justiça brasileira.
Menos de 24 horas após a chegada da jovem à província de Santiago del Estero, na Argentina, um vídeo do pai dela, o empresário Mariano Páez, passou a circular nas redes sociais com gestos de cunho racista.
Nas imagens, gravadas durante a madrugada em um bar, o empresário aparece imitando um macaco e fazendo declarações polêmicas, incluindo críticas ao Estado. O gesto é semelhante ao que levou a filha a ser acusada de injúria racial no Brasil, após episódio ocorrido em um bar em Ipanema, no Rio de Janeiro. Veja o vídeo abaixo.
Além disso, outra gravação mostra Mariano afirmando que foi ele quem pagou a fiança de cerca de US$ 18 mil para que a filha respondesse ao processo em liberdade. No vídeo, ele também faz declarações controversas sobre sua condição financeira e atuação profissional.
A divulgação das imagens intensificou a repercussão do caso nas redes sociais e gerou novas críticas, ampliando o debate sobre racismo e responsabilização.
Veja o vídeo do ato:
Reação da advogada
Diante da repercussão, Agostina Páez se manifestou nas redes sociais para se desvincular das atitudes do pai. Ela classificou o conteúdo como “lamentável” e afirmou repudiar completamente o comportamento exibido.
“Eu me responsabilizo pelo que fiz, reconheci meus erros e enfrentei as consequências. Mas só posso responder pelos meus próprios atos”, declarou.
A advogada também afirmou que não tem qualquer relação com os vídeos divulgados e que estava em casa no momento das gravações. Apesar de reconhecer que o pai esteve ao seu lado durante o período em que permaneceu no Brasil, reforçou que não pode ser responsabilizada pelas atitudes dele.

Caso no Brasil
Agostina responde por três acusações de injúria racial, após um episódio registrado em vídeo em janeiro, em um bar na Zona Sul do Rio. Segundo o Ministério Público, ela fez gestos imitando um macaco e proferiu ofensas racistas contra funcionários do local.
A advogada chegou a ser presa e permaneceu mais de dois meses no Brasil sob medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, retenção de passaporte e proibição de deixar o país.
Após decisão da Justiça do Rio de Janeiro, Agostina foi autorizada a deixar o Brasil mediante pagamento de fiança de cerca de R$ 97 mil e cumprimento de condições, como manter contato com a Justiça brasileira.
A tornozeleira eletrônica foi retirada em 31/03, e ela retornou à Argentina no dia 01/04, onde passará a responder ao processo em liberdade.
Ao deixar o país, a advogada afirmou que viveu um “calvário”, mas disse estar arrependida pela forma como reagiu no episódio. Ainda assim, negou ser racista e criticou a repercussão do caso.
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